12 de janeiro, 2018 | Autor(a): Maíra Leni

Prioridade latente

Crédito: Pedro Vilela

Um problema ainda muito negligenciado em Belo Horizonte, são os pontos de venda e uso de drogas – as chamadas Cracolândias. Um obstáculo complexo, que precisa de solução para não ficar na inércia perpetuamente.

Como a história do ex-usuário de crack Ivan Pinto, que começou cedo no mundo das drogas e foi usuário por 22 anos, existem vários espalhadas pela capital. “Hoje estou há 5 anos e 6 meses em recuperação”, conta. Atualmente Ivan é proprietário e coordenador terapêutico, do Centro de Tratamento de Dependência Química (Centradeq).

Cachimbos improvisados a partir de potes de iogurte, latinhas de refrigerante são a realidade dos viciados que habitam em regiões metropolitanas da capital. Para o coordenador terapêutico, o estado é inoperante. “Eu não recebi e nem recebo nenhum apoio do governo. Na clínica, os usuários são internados de forma involuntária compulsória. As famílias nos procuram e atualmente temos 70 pacientes internados que precisam de psiquiatra, psicólogo, 6 refeições por dia, tarefas multidisciplinares como futebol, natação, aulas de português, entre outras coisas”, conta Ivan.

Segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sobre o perfil dos usuários de crack e/ou similares no Brasil, os usuários de crack nas cenas de uso são predominantemente do sexo masculino, 78,7% e aproximadamente 40% dos usuários no Brasil se encontravam em situação de rua e 78,9% dos usuários que afirmaram desejar se tratar para o uso de drogas. Foi notado pelo estudo que entre os entrevistados que acessaram os serviços ofertados pela rede pública e suplementar, os mais procurados foram aqueles de cunho social, além dos serviços de atenção à saúde, não necessariamente voltados ao tratamento da dependência química.

Segundo o vereador Mateus Simões, uma das prioridades para o primeiro semestre de 2018 será realizar mais uma audiência publica para buscar soluções para a cracolândia de BH que fica localizada na região noroeste da capital, na Pedreira Prado Lopes. “É um trabalho que precisa ser monitorado com o máximo de cuidado possível. Há disputas entre entidades de recuperação, que são divididas entre instituições religiosas e técnicas que acreditam que o usuário precisa sair por conta própria”, informa Mateus.

Outros espaços de BH que já apresentam grande número de usuários, como a região da savassi e do centro.”Além de outros pontos de venda e uso, já podemos dizer que existem duas cracolândias. Há outro ponto no mesmo espaço geográfico da Pedreira”, conta o vereador.   

 

Comentários