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Tudo BH
2 de março, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Vai ter política, sim

As manifestações políticas em carnavais por todo o Brasil são uma chama de esperança acesa

Algumas pessoas têm reclamado de diversas manifestações políticas contra o governo federal, o famoso “Fora Temer”, ecoando por blocos de carnaval país a fora. E tem sido comum por aqui desestimular esse tipo de ação em eventos públicos, como na Copa ou nas Olimpíadas, em que política era tema proibido nos estádios. “É muito chato”; “nada a ver, carnaval é pra curtir; “não gosto quando mistura”; “sempre da confusão”.

Mas o carnaval tem mostrado, de forma cada vez menos tímida, que é possível usar o clima de folia para tratar de temas delicados de forma mais leve. Esse ano mesmo foi a vez de tratar do assedio a mulheres, que nessa época do ano é um problema ainda mais grave do que no restante, pelo volume em que acontece. Tão comum quanto a roubadinha de telefone é a passadinha de mão que ninguém vê de onde veio. E agora os blocos vêm tocando essa ferida, tentando emplacar uma cultura nova, de curtição sem violência. É um trabalho de educação, em ritmo lento, mas com resultados promissores. Pela primeira vez as pessoas estão pensando a respeito, e quem sabe o próximo passo não é uma mudança real de atitude? Se antes a prática era incentivada pelo anonimato na multidão, agora é um ato envergonhado, diante da denúncia e julgamento coletivos. É pouco, mas é uma faísca.

Com a política é a mesma coisa. O Fora Temer ganhou as ruas, sem repressão policial, sem briga entre coxinhas e mortadelas. Em tom de brincadeira, o assunto, sério, é visto sem a carga do ódio e da intolerância, e permite que os foliões pensem a respeito. Se eles estão de fato pensando, ou se é apenas moda, ainda é cedo para dizer. Mas o laboratório mostra que há uma chance.

Não devemos perder essa chance. Não para tirar governo A ou B do poder, mas para aprendermos, com a inocência do Carnaval, que dá pra dizer o que pensa sem ofender o outro, e ouvir o que os outros pensam sem julgamentos. Assim, a gente aprende a andar pra frente.

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