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Tudo BH
13 de abril, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Todo mundo sabia

Mais uma lista é divulgada, e mais uma vez somos apresentados aos fatos que todos sempre imaginavam

Chegou o tão aguardado tsunami causado pela exposição do envolvimento da Odebrecht na compra de basicamente toda a classe política do Brasil. Ficou difícil até de acompanhar a quantidade de listas divulgadas semanalmente. Lista do Janot, Lista da Odebrecht, Lista do Fachin…e o resumo de todas elas é: não salva ninguém.

Não deveria ser surpresa. Já disse por aqui que a relação perversa entre empreiteiras e governo sempre foi algo presente na vida do brasileiro. “Construiu aquela estrada porque é por onde o governador passa”, “Ganhou a licitação porque é amigo do Senador”, “O Prefeito saneou só o bairro dele”. Comentários fictícios, mas que se relacionam com a realidade de muitas obras no país há décadas. Agora estamos vivendo um processo de documentação dessa farra.

É assim que se faz política por aqui. Com dinheiro. E todo mundo sabe. Lula sabe. Dilma sabe. Mas como espertos que todos são, só sabem porque ouvem falar. Ninguém discute os detalhes sórdidos com as cabeças. Há um processo de esterilização dos candidatos no Brasil, em que quem concorre faz as pontes, faz os discursos, ganha os corações. E delega aos assessores, apoiadores e empresas patrocinadoras o serviço sujo. De acordo com os últimos depoimentos de Marcelo Odebrecht, enquanto Temer negociava apoio ilegal às eleições em 2014, foram citados valores na ordem de 10 milhões de reais, mas apenas o atual presidente não estava à mesa. Havia levantado para tomar um café. Ou seja: ou vivemos em um seriado elizabetano, em que conspirações contra o rei correm solta nos corredores escuros do palácio, ou toda a cena é meticulosamente armada para que a imagem de inocência da cabeça da chapa seja preservada. Temer diz que todos os valores debatidos eram para doações oficiais. Tenho certeza de que eram. E assim que ele saia do recinto, sabia que logo em seguida as pessoas que continuaram lá resolveriam os detalhes não oficiais, nos quais ele não poderia fazer parte, justamente para não se incriminar agora.

Foi assim com Temer. Com Dilma e Lula. Com FHC. Todos sabiam. Nós sabíamos. Eles fechavam os olhos, em consentimento, com o que era feito para alcançar a vitória nas urnas. Nós fechávamos os olhos, também consentindo, achando que é assim que o jogo é jogado e que não tem como mudar. Mas tem. E o tempo de consentir vai se acabando.

 

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