29 de setembro, 2017 | Autor(a): Lucas Rocha

Sem medo de lutar

Outubro rosa reforça a importância da prevenção, tratamento e conscientização na luta contra o câncer de mama

 

Com a chegada do mês outubro, campanhas publicitárias, roupas, acessórios, fachadas de prédios e até móveis se pintam de rosa. O motivo não é para menos. Trata-se da mobilização já conhecida como outubro rosa, uma iniciativa surgida nos EUA que se espalhou pelo mundo com o objetivo de olhar para a conscientização e prevenção do câncer de mama que já se consolida como o câncer que mais mata mulheres no mundo. Para se ter ideia, entre os anos de 2016 e 2017, são esperados uma média de 58 mil casos de câncer de mama no mundo todo.

Para os especialistas, as previsões são otimistas com pesquisas cada vez mais precisas que identificam a individualidade do câncer em cada mulher. Entre os tratamentos em destaque, a imunoterapia (que ativa o próprio sistema imunológico para combater as células cancerígenas) e o tratamento anti-hormônio (que ataca o principal tipo de câncer, o com receptor hormonal positivo) vem mostrando resultado promissores, em alguns casos melhores que a tradicional quimioterapia. “Entender a doença de forma mais ordenada tem sido uma conquista imensa para uma nova etapa onde vamos individualizar cada vez mais o tratamento das pacientes”, pontua o médico oncologista da Oncomed, Bruno Ferrari.

O mês é também para discutir e refletir não somente sobre a necessidade de se fazer o autoexame para detectar um diagnóstico precocemente e aumentar as chances de cura, como promover medidas preventivas para que não se chegue ao ponto de desenvolver um câncer. “É muito importante saber que podemos nos prevenir diariamente com um estilo de vida mais saudável, praticando exercícios físicos, que já foi comprovado que tem afetado diretamente na incidência de tumores”, explica a oncologista da Oncoclínicas, Letícia Carvalho Neuenschwander.

Daniella Zupo, 44 anos

 Foto: Pedro Vilela / Agencia i7

“É um diagnóstico que afeta muitas pessoas e ao invés de pensar ‘Porque eu?’, acabei invertendo essa noção para ‘Porque não eu?’”.

As palavras aceitação e autoconhecimento poderiam facilmente definir a jornada da mineira Daniella Zupo durante sua luta contra o câncer de mama, diagnosticado em 2015. De lá para cá, muita coisa mudou. “É tudo muito assustador e chocante no primeiro momento. Eu tive a sorte de contar com o apoio incondicional da minha família e dos amigos mais próximos, mas foi no momento que aceitei o diagnóstico e foquei na cura que tudo mudou. Cada um tem seu caminho e processo, eu particularmente, busquei a psicanálise e outra rotina de vida. Até mesmo para dar conta do tratamento”, relembra. Na época, o tratamento impediu que Daniela continuasse sua rotina de trabalho, os cabelos caíram, nasceram novamente, uma websérie foi produzida acompanhando sua rotina e agora seu dom para as palavras deram forma ao livro “Amanhã hoje é ontem” falando não apenas sobre suas experiências, mas também sobre viver o presente, sobre olhar para as questões da sua jornada de uma forma sem moralismo e mais humanizada. “Não é um livro sobre a doença, pelo contrário, é sobre a vida! Acredito que nesse processo seja fundamental esse momento de se redescobrir e voltar as enxergar as pequenas alegrias da vida. O que faz bem para a alma faz bem para o seu corpo”, diz.

Maria Catarina Faustini, 54 anos

“Quando eu fiquei careca de vez, todos me apoiaram, mas não esqueço a reação da minha neta de três anos que virou e falou: Você está careca! Você é minha vovó careca!”.

O costume do autoexame mensal sempre fez parte dos seus hábitos e foi justamente no espaço de um mês para o outro que Maria Catarina notou que algo estava diferente. “Era novembro de 2016 quando eu passei pelo diagnóstico e fiz uma série de exames. Lembro que quando eu soube que de fato se tratava de um câncer, eu chorei, fiquei apreensiva, com medo. O apoio da minha família foi a base para tudo nesse momento, porque não tem como evitar em pensar que você vai morrer”, conta. Pensar no que estava por vir e no tratamento deixava os nervos a flor da pele. Mas quando viu, na fase da queda dos cabelos, foi a própria Catarina quem deu fim aos fios e de repente sua maior preocupação era como seria recebida pela família. “Nesse momento a gente precisa focar na cura e no tratamento e não se preocupar com os efeitos. É isso que te faz seguir em frente! Aceite o apoio da sua família e não tenha medo de se tratar”, incentiva.

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