29 de setembro, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Rodrigo Maia mira 2018

Embalado pela crescente pressão sobre Temer, o presidente da Câmara muda o discurso e abre caminhos

O presidente Michel Temer consegue, repetidamente, ultrapassar limites em sua própria crise pessoal. Menor aprovação da história, com impressionantes 3%, ele agora enfrenta sua segunda denúncia feita pela Procuradoria, e com apoio muito menor para se defender. Diferentemente da primeira vez, a figura de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, tem assumido um papel menos discreto.

A conta é simples: assim como Michel Temer, durante o impeachment de Dilma, Maia é o substituto no cargo de presidente caso a denúncia seja levada até as últimas consequências. E como Eduardo Cunha, naquela época, cabe a ele decidir em última instância se Temer está ou não na mira. Ou seja: ele decide se entra de vez como candidato ao cargo, ou se mantém a postura da última denúncia e fica de lado.

Antes, Maia atuou pelo arquivamento da denúncia. Tentou barganhar esse apoio para o seu partido, o DEM. Agora, a postura mudou. Não fala contra o presidente, não costura publicamente acordos para a aprovação da denúncia, mas percebe que pode ganhar pela omissão. Se não fizer nada, é provável que o processo siga adiante, e Temer enfraqueça ainda mais. As atenções se voltam para Maia, que é o sucessor imediato. Assumindo ou não, sua imagem fortalece.

Sabendo disso, começa a dar declarações públicas com críticas ao governo, em tom amigável. No tom certo para não parecer traidor, ou articulador, mas sim uma figura neutra e sensata. Tudo calculado. Se assumir nos próximos meses, tem a chance de angariar uma vitória histórica pra si e para o DEM, coadjuvante na política desde a época do PFL. Com certeza entra com mais do que os 3% de Temer. Se Temer, por outro lado, não cair, essas aparições públicas criam uma figura sólida, bem mais forte do que antes, e candidatíssimo para as eleições do ano que vem, onde o DEM poderá ter, enfim, seu candidato próprio, com chances reais de brigar ao menos por um segundo turno.

O mais curioso é: troque no texto acima os papeis de Temer por Dilma, de Maia por Temer e do DEM pelo PMDB, e temos praticamente a mesma história de 2016. A postura de Maia mudou, mas o jogo insiste em continuar o mesmo.

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