6 de outubro, 2017 | Autor(a): Lucas Rocha

Respiro jovem

O clima chuvoso e mais frio que se instalou em Belo Horizonte nesta primeira semana de outubro foi o cenário perfeito para a 21ª edição do Minas Trend, que aconteceu entre os dias 3 a 6 de outubro, no Expominas, apresentando as principais tendências e coleções que chegam às ruas no próximo outono/inverno. O evento que viveu há umas três edições atrás um momento de mais retração e infraestrutura mais simples devido à crise, resgatou sua magnitude na cenografia assinada pelo arquiteto Pedro Lázaro.

Ainda no ritmo das comemorações de dez anos, o evento celebrou sua história na segunda-feira (2) com desfile de abertura que contou com toda a pompa e circunstância que a ocasião pedia. O show comandado pelo stylist Paulo Martinez reuniu peças das marcas participantes trazendo referências ao passado histórico de Minas Gerais em um conjunto de looks que brincam a ideia de sagrado e profano.

Uma das partes mais glamorosas e esperadas pelo público, os desfiles desta edição foram responsáveis por trazer um frescor para o evento que já se consolidou pelo grande número de marcas voltadas para a moda festa e agora ensaia pequenos passos para apresentar uma moda mais jovem, urbana e antenada nas tendências mundiais.

Bom exemplo disso está nos desfiles das estreantes ao apresentarem produções fora do quadrado, algumas com pegada engajada nas questões sociais como a LED e seu lema “Vai planeta!”, a reflexão sobre os nossos hábitos e rotinas apresentados pela Molett, a pegada jovem e sóbria da Chocker e o trabalho artesanal arrojado de Ronaldo Silvestre. Embora a marca não seja estreante na passarela, outra que chamou atenção foi a Bobstore sendo a primeira vez desfilada com a coordenação de estilo dos mineiros André Boffano e Samuel Santos que emprestam sua expertise em alfaiataria para a grife.

O time de veteranos que também integram o time de marcas com pegada mais streetstyle inclui os nomes de Anne est Folle com sua modelagem mais ampla e apostando em certa sobriedade, os significados despretensiosos e abstratos da arte de rua sob os olhos de Lucas Magalhães e o shape longilíneo e oversized da Plural.

A elegância do tricô e das cores e estampas de Natalia Pessoa viajaram pela costa brasileira mais ao nordeste trazendo tropicália para o inverno. A moda festa ficou representada pel a sensualidade da Manzan e o boho romântico da Unity Seven. Menção honrosa para a apresentação do Sindijoias com peças de diversos designers mostrando que criatividade e preciosidades não faltam nesse segmento do mundo fashion.

Nos corredores do salão de negócios, apesar do movimento ainda mais tímido em comparação aos anos áureos do evento, demonstravam mais otimismo com a economia e o setor. Não à toa, lojistas de todo o país e de várias partes do mundo se entusiasmaram com a perspectiva de boas vendas em um futuro muito próximo.

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