Navbar
11 de agosto, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Que reforma?

Angariando apoio por fazer reformas que o país precisa, o governo Temer erra feio em como fazê-las

O Brasil do futuro é assim: aposentadoria só para uma classe altamente exclusiva formada pela nobreza política do Brasil. Garantias trabalhistas não existem, ou você aceita as regras que a empresa dispõe, ou luta bravamente, sozinho, por condições que acredita ser ideais para seu trabalho. E na hora de votar, o curralismo de volta com tudo.

Com o tal “distritão”, sistema para o qual a Câmara acenou positivamente nesta semana, o voto de vereadores e deputados passa a ser direto, e ganha o candidato mais votado em cada distrito, assim como acontece com outros cargos majoritários. A ideia até pode parecer boa, mas em um país onde todas as atenções estão voltadas para o Fla x Flu na presidência, governos e prefeituras, fica mais difícil acompanhar quem leva a câmara no interior de muitos dos estados. E aí que entra o problema.

O distritão, como acontece nas majoritárias, acaba favorecendo quem tem mais dinheiro. Mais tempo deTV, mais investimento em mídia, melhor treinamento, e não necessariamente as melhores propostas. Ganha o candidato mais bem produzido. Ou, no caso de distritos pequenos e sem grande atenção, o candidato mais influente. Seja por populismo ou por opressão mesmo, candidatos que dominam seus territórios de forma imoral, transformando os distritos em verdadeiros currais eleitorais, é mais do que comum. É quase regra.

Com o distritão, morrem os nanicos. Morrem os partidos com ideias, mas sem verbas, fora da panela da nobreza, aqueles que incomodam porque gritam mais alto, mesmo sendo minoria. Tão preciosos para a democracia, fazendo valer a voz do contraditório, a morte desses nanicos resulta na vitória dos partidos velhos e gordos que engolem a novidade. A vitória da política do PMDB.

Longe de achar que o Brasil não precise repensar todo o modelo de previdência, ou que as normas trabalhistas não sufoquem o pequeno empresário. Longe, mas muito longe, de achar que nosso sistema de votação é perfeito e que a reforma política não seja urgente. Mas as reformas propostas por esse governo apontam para um pais bem pior do que o que eles querem reformar.

Comentários