20 de outubro, 2017 | Autor(a): Fernando Torres

Profissão: gamer

Jogos eletrônicos ganham status de esportes, inclusivo no meio universitário, que já conta com times especializados

É como se fosse uma competição olímpica com várias modalidades, mas 100% on-line. Assim são os chamados e-sports, ou esportes eletrônicos, sigla high-tech para o bom e velho videogame. Mas os jogadores de hoje, que se pretendem profissionais, realmente estão em outro nível, comparado ao passado. Vide, por exemplo, a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends (LOL), sediada no Mineirinho, em setembro com 8 mil torcedores – o jogo multiplayer, uma das principais manias dos fãs, também teve partidas transmitidas no cinema e pelo canal fechado SporTV.

Foto: Juliana Flister / Agencia i7

No dia a dia, as batalhas de LOL também são coisa séria para Allan Borges, gestor da equipe de ­­­­e-sports da Universidade Fumec. Apaixonado por jogos eletrônicos, ele aproveitou um estágio na instituição para lançar a ideia de criar um time entre os universitários, de cursos como Computação Gráfica e Sistemas de Informação. “A concorrência chegou a 11 candidatos por vaga”, relembra ele. Resultado: em 2016, a Fumec se tornou pioneira no Brasil a aplicar um projeto dessa instância no ambiente acadêmico.

Desde então, os seis estagiários selecionados têm a tarefa de se reunir diariamente no laboratório montado para este fim. “Nossa rotina é bastante colaborativa: discutimos estratégias, avaliamos mudanças no jogo, fazemos testes de treinamento, identificamos pontos frágeis e trabalhamos para melhorá-los”, descreve Borges. A ambição é realmente transformar os universitários em jogadores profissionais, o que já vem rendendo frutos. Em fevereiro, o time foi campeão de LOL na Summer Cup da Liga Universitária de e-Sports (LUE), deixando para trás outras 11 equipes. “Jogar desenvolve o raciocínio lógico, a interação social e o trabalho em equipe”, afirma o gestor/treinador.

Foto: Juliana Flister / Agencia i7

Os esportes eletrônicos também têm feito a cabeça de estudantes da UFMG, mas de forma mais independente. Quem comanda a jogatina é Luísa Ribeiro, do curso de Sistemas de Informação, que, já há cerca de dois anos, promove campeonatos universitários. “O que era algo amador ficou maior e se tornou um time. Hoje sou manager e treinadora da equipe de LOL”, conta ela.

Embora não tenham apoio oficial da instituição, os jogadores da UFMG venceram a modalidade LOL do primeiro campeonato da LUE, em 2016, realizado em Santa Rita do Sapucaí, envolvendo 18 universidades. Além do LOL, a instituição também abriga times de CS: GO (Counter-Strike: Global Offensive) e Fifa Soccer. “Para 2018, já pensando nos calouros, vamos selecionar outras modalidades, como Overwatch, Dota 2 e Hearthstone, buscar patrocinadores e fazer um minievento em estilo fair play”, planeja.

Quem também manja de eventos de e-sports em BH é o youtuber Rodrigo Soares, do canal UaiListar, do YouTube. Ele promove encontros com a comunidade gamer por meio do Bar Legends, que reúne os aficionados de LOL para assistirem a transmissões de competições on-line. “É realmente como se fosse um jogo entre Atlético e Cruzeiro, mas totalmente eletrônico”, descreve. Ele também foi um dos nomes por trás do Encontro da Torre, em agosto no parque municipal. “Trouxemos para cá um dos símbolos do LOL, de 9 m de altura, uma forma de reunir presencialmente os fãs dos jogos”, conta.

Itinerante, o Bar Legends costuma ser sediado em bares como a Hefestus Arena, no Serra, uma hamburgueria pensada para os gamers. Outro reduto do nicho é o Crovax, no Buritis, que remonta à época de ouro das lan houses, com computadores instalados em duas cabines com isolamento acústico. “As pessoas podem vir jogar entre si, ocasionalmente, ou então fechar grupos para maratonas”, conta o proprietário, Renato Nascimento. O espaço ainda inclui uma área de transmissão no porão, para as torcidas assistirem a partidas, especialmente os da equipe alemã SK, que conta com integrantes brasileiros. Tudo regadas a nachos e cerveja. Sim, cerveja, afinal, o novo perfil de gamer transcende o universo geek. “O potencial de público dentro do mercado de esportes eletrônicos é imenso”, garante Nascimento.

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