25 de agosto, 2017 | Autor(a): Maíra Leni

Presidente decorativo

Temer afia o discurso pró reforma política visando as eleições de 2018, para se manter por cima

Michel Temer vem repetidamente afirmando que não sairá candidato em 2018. Não deve ser mesmo. Não precisa. Se tudo sair conforme o plano, até lá, mesmo que haja eleições, o que também é algo a se duvidar, ser presidente da república não significará mais muita coisa. Se as eleições não forem suspensas ou adiadas por qualquer manobra mais radical do golpe parlamentar, é bem provável que já tenhamos implementado a reforma política aos moldes MDB, com distritão e semipresidencialismo. Essas duas mudanças, aliadas, significam que quem passa a mandar no Brasil, agora oficialmente, é o Congresso.

É isso mesmo. Com a reforma política como está proposta, os nossos deputados mais medalhões ganham força, e a classe parlamentar, como um todo, passa a estar acima do chefe de estado. Se hoje já é difícil segurar a farra dessa turma, imagina quando tiverem o aval da lei para fazer o que bem quiserem?

Para Temer, é o melhor dos mundos. Acostumado a tramitar nesse mundo, o atual presidente sabe como poucos comprar aliados, articular manobras e virar a mesa do Congresfoso a seu favor. Foi parlamentar a vida toda e lá se sente mais confortável. É natural que em um sistema como o que propõe para o Brasil, prefira voltar para os seus, e mandar e desmandar de lá, do que permanecer sentado em um trono de onde pouco consegue fazer.

O presidente da república, no encantado mundo de Temer, passa a ser quase figurativo, respondendo a questões diplomáticas e algumas outras tarefas administrativas, mas sempre acompanhado e fiscalizado pelos nobres deputados. Um presidente decorativo, em um termo que seja mais familiar a Temer. Nessa linha, o próximo passo seria chamá-lo de rei.

Comentários

Publicidade

LATERAL HOME 1 - Blog do PCO

Mais recentes

Publicidade

Your Ad Here

Publicidade

Your Ad Here