4 de maio, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Pode piorar

Em meio a avanços nas investigações, a soltura de José Dirceu põe em dúvida os caminhos da Lava Jato

O fato de José Dirceu estar novamente em liberdade é uma péssima notícia por si só. Mas para além da sensação de impunidade, ou mesmo a clara constatação de que nem o mais alto escalão da Justiça está livre da corrupção endêmica do país, Dirceu nas ruas é um passo perigoso rumo a perigos maiores. Conhecidamente um dos petistas de pensamento mais radical, ele agora volta ao tabuleiro político com toda a raiva que acumulou em 2 anos preso pela Operação Lava-Jato. Já mandou avisar, que o caminho do partido é radicalizar nas medidas de esquerda.

Não que medidas sociais sejam cada vez mais críticas ao país, ou que o contraponto ao conservadorismo predador de Michel Temer seja urgente. Mas o tipo de discurso carregado pelo grupo de José Dirceu, considerado extremista mesmo dentro do partido, é daquele que infla a divisão ideológica que impede o Brasil de seguir em frente.

No caminho dos extremos, rumamos à guerra. Militantes de ambos os lados já não enfrentam a polícia, enfrentam uns aos outros. Há que se derrubar os lados, sob a pena de quebrarmos de vez o país se não o fizermos.Temer só trabalha para um lado. Dirceu, só trabalha para o outro. E nós, no meio, não ganhamos em nenhuma das pontas.

A Lava Jato vem cumprindo um papel importantíssimo na nossa história, de quebrar o paradigma de que a corrupção existe, mas não se fala nela, e nem se faz nada a respeito. Mas ao mesmo tempo, ao se deixar interferir por manobras políticas, como as que garantiram a soltura do petista pela caneta de um dos mais duvidosos ministros do Supremo, pode pesar para o lado contrário. Ao flexionar para caber vontades políticas, ela alimenta o vale tudo dos políticos, e rumo à guerra ideológica em que estamos encarando.

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