17 de novembro, 2017 | Autor(a): Redação TUDO BH

Pés no futuro

Usiminas reverte situação de crise e já planeja próximos passos para voltar a cresce

Tião Mourão

A Usiminas completa 55 anos com os pés no futuro. Após período de crise, que teve seus momentos mais agudos nos últimos três anos, a empresa conseguiu reverter a situação com esforço, planejamento e muitas cabeças pensantes.  No início de 2017 os sinais de recuperação já estavam claros e no terceiro trimestre deste ano, a Usiminas alcançou um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização da dívida) de R$ 307 milhões, o melhor resultado desde 2013. Esse cenário foi apresentado pelo presidente da Usiminas, Sergio Leite, em sua palestra no Conexão Empresarial, evento promovido pela VB Comunicação, no espaço V, em Nova Lima.

Sergio Leite acredita que o pior ficou para trás e já é possível vislumbrar um novo horizonte. A siderúrgica tem conseguido alcançar resultados positivos, mesmo durante a crise econômica e agora começa a avançar a passos largos. Pelas suas projeções, se a economia brasileira crescer 2,5%, o setor vai ter um impulso de 5%, principalmente se for levado em consideração a recuperação do setor automotivo, onde a Usiminas atua fortemente.  Se o próximo presidente da República for uma pessoa desenvolvimentista, o executivo acredita que todos os setores irão se beneficiar, inclusive o mercado de aço.  Mais de 70% da produção da Usiminas é voltada para o mercado interno e se a economia vai bem, a empresa consegue resultados ainda melhores.

O trabalho desenvolvido até agora, Sergio Leite precisou buscar talentos na própria empresa para tirar a Usiminas de uma situação de quase falência e transformá-la, novamente em uma das principais empresas do setor no país. Com mais de 13 mil empregados, Sergio Leite, que trabalha há 40 anos na empresa, decidiu criar o chamado Grupo dos 10, formado por funcionários da própria siderúrgica e reunindo representantes do que chama de as três forças da Usiminas, que são os brasileiros, os japoneses e os ítalo-argentinos. Eles debatem e traçam as ações para recuperar a empresa. A valorização desses profissionais foi fundamental nesse processo de recuperação da Usiminas, segundo o executivo, e mesmo com a disputa dos acionistas que tramita na Justiça, dentro da usina todos trabalham em harmonia.

O resultado é o de que, além dos resultados que superam as metas estabelecidas, a Usiminas teve uma valorização de 100% de suas ações na Bolsa de Valores e recebeu importantes prêmios internacionais. Em Bruxelas, dos 11 prêmios destinados às principais siderúrgicas do mundo, a Usiminas recebeu dois: o de sustentabilidade e o prêmio de excelência em segurança.

O único porém nesse processo de recuperação da empresa está, segundo Sergio Leite, na postura do governo federal em relação a indústria nacional. As siderúrgicas sofrem com a concorrência desleal dos produtos chineses, que detêm 50% do mercado mundial do aço, e encontram espaço no Brasil para comercializar seus produtos sem nenhuma barreira. O governo brasileiro considera a China o seu maior parceiro comercial e evita criar entraves para os produtos chineses, mesmo que isso signifique sacrificar as indústrias brasileiras.

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