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9 de março, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

O governo de alguns

Temer demarca o território do governo ao dizer o lugar da mulher nos lares e supermercados do Brasil

Uma coisa são piadas de mal gosto em grupos de whatsapp. Ou comentários ofensivos feitos em conversas informais entre amigos. Não que seja menos preocupante ou ainda mesmo que chegue a ser aceitável. Mas combater preconceitos ou ideias ultrapassadas no âmbito particular, na luta diária, é algo mais ao alcance de qualquer um. Podemos argumentar, brigar, ou apenas optar por ignorar. Mas quando o presidente da República vem a público dar uma declaração que reforça o conceito de mulher de 60 anos atrás, é no mínimo desesperador.

Temer é a prova de que eloquência não é tudo. Saímos de uma presidente que tropeçava a cada vírgula em seus discursos, nos trazendo pérolas em forma de delírios com cachorros, crianças, vento estocado e uma variedade de baboseiras, para um elegante e desenvolto troglodita.

Não é ignorância, não é erro. As ditas gafes presidenciais, no caso de Temer, são propositais. São uma violência. Seus assessores sabem que seus opositores, na maioria, são simpatizantes de causas como o feminismo, os direitos do trabalhador ou a aposentadoria como direito universal. E é por isso que seu governo bate insistentemente contra essas ideias: demonstração de força. Não é a toa que o presidente vem a público ressaltar o talento econômico da mulher no supermercado, ou o chefe da câmara dos deputados dizer que a Justiça do Trabalho não deveria existir, ou proporem cargas horárias de 12 horas diárias. Não são declarações estapafúrdias, são recados muito bem dados de que “esse governo não é para você”.

Triste o tempo em que o governo é declaradamente para uns, e não para outros. O Fla x Flu político destruiu o conceito de governo para todos, e deu voz ao egoísmo em cada um de nós.

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