1 de setembro, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

O fim da era Janot

A Procuradoria Geral da República encerra um ciclo de investigações intensas sobre o governo

Chegando ao final de seu mandato, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, segue trabalhando em busca do protagonismo em seus últimos dias no cargo. Resumidamente, o papel do chefe do Ministério Público Federal é de fiscalizar e, caso necessário, processar ações contra membros do governo que possam estar agindo ilegalmente durante o mandato. Para isso, ocupa um cargo com independência institucional, ou seja, não se submete ao presidente, ou ao Senado, ou a qualquer outro órgão, para que possa ter clareza nas análises e decisões tomadas.

É no mínimo de se estranhar, portanto, que ao fim de seu período na função, Janot venha sendo constantemente criticado por fazer justamente o que o cargo pede. Que Michel Temer não é flor que se cheire, já é algo claro para todos. Mas no caso dele, o agravante nos últimos meses se deu com a apresentação de depoimentos consistentes e gravações de conversas que dão fortíssimos indícios da participação ativa do presidente na negociação de propinas. Logo, classificar a insistência de Janot na investigação e apuração desses fatos como perseguição é forçar a barra na politicagem. Pior. Colocam Janot numa espécie de rivalização imaginária com Sérgio Moro, que é também tachado como perseguidor de Lula.

Mais do mesmo na guerra entre dois lados da mesma moeda. Se há indícios de corrupção dos dois lados, que se investiguem ambos. Que bom seria se de fato tivéssemos dois obstinados da justiça em olhar para os dois e achar o caminho dos crimes que supostamente cometeram. Ao invés de escolher um dos dois e torcer para o time que usa a mesma camisa que você, deveríamos estar acompanhando os dois processos e cobrando que ambos sejam tocados, de forma igualmente correta.

Mas não parece ser assim que o governo Temer enxerga a questão. Janot sai de cena e dá lugar a uma nova procuradoria, mais amiga do presidente, recriando a relação nada saudável que vincula informalmente o órgão à presidência. Como era na época dos engavetadores da década de 1990. Se a próxima e última denúncia de Janot não passar adiante, e for novamente engavetada pelo congresso, poderemos entrar em uma era estranha em que os governantes correm ainda mais livres, sem o papel do MPF atuante em cima de seus atos. A estabilidade política estará assegurada, mas apontando para um caminho extremamente perigoso para o Brasil.

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