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18 de maio, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

O caldo entornou

Temer e Aécio são pegos envolvidos em pagamento de propina. Os atuais donos da bola estão sem saída

Já está mais do que claro que a aliança PMDB-PSDB vinha preparando um caldo, desde 2014, para assumir o bastão da roubalheira nacional, custe o que custar. Visto a concretizada reeleição de Dilma, os grupos mais corruptos dos dois partidos se uniram para colocar ordem na casa, mostrar que quem manda é o Congresso e defenestrar o PT do posto de dono da bola, apoiado pela pressão popular que dava ares de legitimidade à receita.

O caldo vinha sendo cozinhado desde então, com novos ingredientes à cada semana, receita feita à várias mãos e temperada pela Operação Lava-Jato. Tudo ia bem, para que a nobre casta política saboreasse essa receita com requinte. Mas nesta quarta-feira, o caldo entornou. Descobriram a fórmula secreta e erraram a mão no tempero.

Assim como a notícia de que a carne da JBS era feita de papelão, confirmaram o que já estava na cara. Os caciques dos partidos que criaram a receita do caldo não só estavam na cozinha na hora do preparo, mas botaram a mão nas panelas.

O momento é de apreensão. Quem vai se queimar? Qual a extensão dos danos causados? Não dá nem para afirmar que é o momento mais crítico da história política do país, pois os desdobramentos podem ser ainda mais profundos. Não é hora de apontar o dedo para coxinhas ou mortadelas, pois os dois lados foram pegos de surpresa. Uns ainda acreditavam que o buraco do lado azul da política fosse mais raso, outros que essa turma estava blindada. A Polícia Federal mostrou que faz um trabalho minimamente correto. Não se deixou influenciar por pressões, observou, calada, os desdobramentos, e trabalhou para produzir provas que sustentem as teses investigadas antes de prosseguir para a acusação. Não foi sempre assim, mas se espera que continue. Doa a quem doer.

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