22 de setembro, 2017 | Autor(a): Lucas Rocha

Nova paixão nacional?

Prática do futebol americano cresce no país e ganha atenção no estado com times cada vez mais profissionais

 

Pedro Vilela / Agencia i7

Sua origem data a época de 1867, quando times das universidades de Harvard e Yale jogavam um esporte que misturava regras do rugby com regras do futebol inventado na Europa. Anos depois, a prática foi reconhecida no mundo todo como o futebol americano com suas características bem definidas. Equivalente à paixão que o Brasil tem pelo futebol soccer, o esporte tradicionalmente estadunidense tem crescido exponencialmente em território nacional tanto no que diz a respeito ao número de espectadores quanto aos atletas e times.

Mas o que é o futebol americano afinal de contas? Além de ser o esporte praticado pelo marido da Gisele Bundchen, o futebol estadunidense vai muito além do estereótipo de homens se atacando e tentando derrubar uns aos outros, e, na verdade, trabalha muito a estratégia olhando para os atributos de cada jogador. A ideia é que usando da velocidade, agilidade, o contato físico e a capacidade tática, os jogadores consigam trabalhar em equipe empurrando, bloqueando ou perseguindo os adversários para que a bola possa avançar pelo campo até a zona de pontuação.

 Juliana Flister / Agencia i7

O jogo tem se tornado tão interessante aos olhos do brasileiro, que diversas pesquisas mostram que o Brasil deixou o quinto lugar no ranking de audiência do futebol para assumir a segunda posição perdendo apenas para os Estados Unidos. Em Minas Gerais, a história do futebol americano começa em 2005 com a fundação do Minas Locomotiva, primeiro time do estado, e ganha cada vez mais força reunindo atualmente pelo menos 35 iniciativas com representantes oficiais, isso sem contar os grupos de amigos que jogam sem qualquer compromisso.

Presidente da Federação Mineira de Futebol Americano, Abraão Coelho vem acompanhando o crescimento do esporte e comemora os grandes feitos conquistados como os campeonatos disputados nos estádios do Independência e Mineirão, tendo já reunido cerca de 11 mil espectadores. “Talvez no ano passado eu dissesse que nunca veria isso acontecer, mas o processo tem sido acelerado com o aumento da visibilidade que o esporte ganhou. A gente tá vendo hoje empresários enxergarem a oportunidade de investir nesses times, como no caso do Sada Cruzeiro”, conta.

Pela falta de investimentos, geralmente a grande maioria das pessoas envolvidas com o esporte no país, como treinadores, nutricionistas, fisioterapeutas, fazem isso por paixão e em parceria com os times de forma paralela a outras profissões. É o caso de Pedro Gomes, ex-jogador do Minas Locomotiva e atual diretor recém fundado Lions. “Eu sempre gostei de esportes e quando descobri o futebol americano me chamou muito atenção a necessidade da estratégia e raciocínio. Esse ano tive uma lesão e precisei me afastar, mas como já tinha experiência com gestão de time, resolvi fundar o Lions com minha namorada que sempre esteve envolvida com o cheerleading. Eu brinco que ou você ama o futebol americano ou ainda não conhece. Hoje eu consigo imaginar a possibilidade dos meus futuros filhos terem a oportunidade de jogar profissionalmente um dia aqui no Brasil”, comenta.

Parte integrante do universo do futebol americano, as tradicionais líderes de torcida também ganham destaque no país disputando campeonatos, quebrando preconceitos e mostrando como a prática da modalidade envolve muito mais que apenas as coreografias e os gritos de apoio aos times dos meninos. “Além do preconceito com os meninos, a gente já ouviu muita coisa de gente que não percebe o quanto está envolvido no esporte, como a ginástica artística, e acha que é só dançar de forma sensual. As pessoas acham que não, mas o cheerleading é muito democrático e recebe todo tipo de pessoa. Em BH, além das universidades, muitas escolas particulares têm começado a procurar profissionais para montarem seus próprios times de cheerleading inclusive”, conta Isabela Coelho, treinadora do Minas Locomotiva Cheerleading.

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