14 de novembro, 2017 | Autor(a): Paulo Cesar de Oliveira

Negócios em todos níveis

Uma semana de recesso do Congresso. Para o país nenhuma perda. Risco mesmo só para os parlamentares. É que a população pode, com a paralisação, se convencer de que eles não fazem falta ao país e decidir trocar todos eles nas eleições de 2018. Brasília estará vazia o que não significa que muita coisa pouco republicanas não estejam ocorrendo. É bom não nos esquecermos do samba de Chico Buarque, “Vai passar” que, composto nos anos 1990, retrata com perfeição o Brasil de hoje: Dormia A nossa pátria mãe tão distraída, Sem perceber que era subtraída, Em tenebrosas transações”… E esta será sim uma semana de tenebrosas transações em busca de recomposição do governo Temer que, pressionado, terá que fazer mudanças em seu ministério por exigência dos parlamentares mais ousados do chamado “centrão” um grupo que, evidentemente com alterações em sua composição, comanda o Parlamento desde a Constituinte de 1988. O grupo tem sede, publicamente, de cargos, e quer mais espaço para sustentar as propostas do governo. Cargos que nunca  vêm sozinhos, mas sempre acompanhados de recursos para atendimento das chamadas bases. Temer se quiser levar adiante algumas de suas propostas, especialmente a reforma da Previdência, sabe que terá que entrar no jogo.É assim que se faz política num país onde os eleitores não votam em propostas, mas em pessoas. E as pessoas vão moldando o comportamento político e o voto ao sabor das tenebrosas tentações. A este ir e vir ao balcão de negócios, deram o pomposo nome de “presidencialismo de coalizão”, única forma de se assegurar a governabilidade num país que tem um Parlamento fragmentado, com representantes de mais de vinte legendas, todas sem compromissos programáticos sérios. Enquanto perdurar esta realidade de partidos fracos, sem compromissos com uma linha programática, enquanto tivermos um eleitorado que também não tem posições políticas, que se comporta como “folha de bananeira”, pendendo para onde toca o vento, vamos viver assim. Com governos sem legitimidade para fazer o que é preciso ser feito pois foram eleitos com base na mentira, prometendo o que sabiam que não fariam aquilo que prometeram.

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