15 de dezembro, 2017 | Autor(a): Maristela Bretas

Natal artesanal e sustentável

Foto: Juliana Flister / Agencia i7

Com a proximidade do Natal, uma das melhores datas de venda do ano para o comércio, o consumidor já está em busca de opções de presentes, dos mais variados tipos, tamanhos e preços. Muitas pessoas, no entanto, estão fugindo da tradicional lembrança adquirida numa grande loja e buscando peças produzidas por produtores locais, os chamados “makers”. Nos últimos dois anos esta modalidade de comércio vem ganhando mais adeptos que não esperam o período das lojas cheias para comprarem seus presentes. São pessoas conscientes, que querem peças criativas mas que se preocupam com a valorização do produtor local, a sustentabilidade e o meio ambiente. Peças artesanais feitas em couro, madeira, tecido e metal atraem um público variado por serem diferenciados em sua originalidade e terem preços acessíveis na maioria das vezes.

 

O arquiteto mexicano Marco Nieves, há quatro anos no Brasil, sempre adquiriu mercadorias artesanais, desde que vivia em seu país. “O que estou fazendo é tentar reativar a economia do lugar. A visão que a gente tem da economia tem que mudar. Temos de pensar em trazer este lucro para nós por estarmos comprando uma boa mercadoria, e respeitar o preço dos artesãos, mas não estamos valorizando o trabalho feito à mão, que é reflexo de uma cultura, de qualidade superior. “Geralmente compro artigos para casa e tecidos, por não serem perecíveis, e posso dar o presente em qualquer época do ano, sem precisar ser no Natal, é uma coisa mais cotidiana”. Entre suas compras estão presentes e artigos que usa em suas viagens pela praticidade.

 

 Foto: Pedro Vilela / Agencia i7

Os irmãos Marcelo e Sara Oliveira ainda não escolheram os presentes de Natal, mas há dois anos preferem presentear amigos e parentes com produtos locais para valorizarem o pequeno artesão. “Isso significa inovação, a gente sai do comum e dá oportunidade para quem está começando no mercado. O consumidor tem um produto diferenciado e ainda está fomentando o comércio de um pessoal que não tem oportunidade nos grandes mercados”, afirma Sara. Para Marcelo, consumir do local beneficia toda uma cadeia, desde o aspecto ambiental, à questão de criatividade e o apoio à economia local. É uma diferença para o consumidor e para o produtor, todo mundo sai ganhando.

 

Uma das maiores incentivadoras do desenvolvimento desta produção criativa é a Mooca, primeira marketplace do Brasil com aceleração de produtores locais, criada há dois anos por Marina Montenegro e Fabiana Soares. Mentora de mais de 250 makers, a Mooca trabalha hoje com 107 artesãos locais e oferece 45 marcas na loja. A proposta surgiu para reunir num só local, artesãos que ficavam em feiras espalhadas pela Savassi. “São pessoas muito criativas com dificuldade de empreender. A gente oferece a formação empreendedora de desenvolvimento de negócios para que se torne sustentável e tenha  força para sobreviver a médio e longo prazo”, esclarece Fabiana.

 

Segundo ela, o público estava carente de produtos criativos, de boa qualidade e com cadeia de produção mais limpa. Desde então, houve um crescimento no interesse por produtos locais. “A expectativa para 2017 é de ser ainda melhor tanto nas vendas quanto no interesse pela proposta por estarmos a mais tempo no mercado, além dos clientes fieis e de novos consumidores que passaram a nos conhecer”.

 

A artesã Gabriela Franco Chiaretti, sócia da mãe na marca “essamulher” (http://essamulher.com.br), é a designer dos acessórios, feitos com fios 100% algodão, cerâmica, resina, borracha, madeira e metal e vendidos em alguns eventos e principalmente na Mooca e no seu showroom no bairro Anchieta. Para ela, o público que compra do produtor local são pessoas mais conscientes, sem limite de idade. “Hoje em dia isso pode repercutir num impacto social e da cidade, são pessoas mais antenadas com o consumo consciente, com o pequeno produtor “.

 

As designers Ana Carolina e Julia Rodrigues se uniram à mãe Silvana, reativaram o antigo ateliê de pintura em porcelana e, há dois anos, lançaram a marca  “Maria, a Louça” (@soumariaalouca) com produtos artesanais inspirados no cotidiano e na ascendência portuguesa. Com a ajuda da aceleradora tornaram a venda profissional, feita na loja da Mooca. “Aos poucos foi ocorrendo uma mudança no consumo. Eu vejo que há uma compra mais consciente, de não querer compactuar com métodos de produção industrial e escravo”.

 

Aceleradora e makers concordam que as redes sociais têm sido a maior aliada na divulgação deste trabalho diferenciado. O mesmo acontece com as grandes lojas, como mostra pesquisa realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), no período de 24 de outubro a 17 de novembro de 2017. Dos 200 lojistas entrevistados, 48,6%  apontam as redes sociais como a forma mais eficiente para expor os itens e chegar até os consumidores. Para este Natal, a expectativa de venda deverá atingir R$ 3,06 bilhões, com um volume de crescimento de 1,42%, o melhor dos últimos dois anos.

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