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Tudo BH
29 de junho, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Não foi bem assim

Após um ano tentando levar o Brasil de volta aos anos 70, Temer agora parece voltar à Idade Média

Que o Governo Temer tem um pensamento atrasado, retrógrado, já não se tem muita dúvida. Mas em recente declaração, o presidente mostrou que ainda consegue surpreender. Ao afirmar não saber como Deus o colocou na presidência, tentou pedir apoio desesperado a uma das parcelas mais fortes do eleitorado brasileiro hoje, os evangélicos. Mas acabou dando mais um tiro no pé.

Associar sua ascensão ao cargo como feito divino, além de zombar da cara da população que testemunhou as armações do PMDB para que tal feito se concretizasse, tirando o mérito do Todo Poderoso, ainda flerta com o obscurantismo das monarquias da Idade Média.

Temer agora veste em definitivo a sua carapuça nosferática e mostra que na sua cabeça, assim como na dos déspotas de séculos atrás, o poder é uma virtude dos escolhidos por Deus, e não pelo povo. Deve ter sido mesmo, já que pela vontade do povo ele já teria saído do governo há muito tempo, abraçado nos 7% de aprovação da última pesquisa disponível.

Mas se foi, o Deus que o pôs ali não é o mesmo Deus descrito na maioria das Igrejas do Brasil afora. Mais comprometido e se safar proteger seus amigos da nobreza política, Temer parece mais ser o candidato daqueles Deuses questionáveis do século XII, daqueles que vendiam pedaço fictício de terra no céu, pra enganar pobre e enriquecer mais ainda os gordos e ricos monarcas.

Na verdade não foi Deus que pôs Temer na presidência, e nem o povo. O projeto de governo que ele defende foi escolhido pelos próprios políticos corruptos. Esses que gostam de votar o próprio salário, licitar empresas de laranjas e desviar todo o investimento da população para os próprios bolsos e interesses. E que agora estão acuados, vendo que o golpe tem dificuldade em se perpetuar.

Apelar para Deus é mais uma tentativa desesperada de se segurar nas cordas. Tem que tomar cuidado pra que esse Deus que ele se refere não largue sua mão assim como o próprio Temer fez com aura apoiadores que se queimaram durante as investigações. O evangélico Eduardo Cunha que o diga.

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