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19 de janeiro, 2017 | Autor(a): Agência Brasil

MG muda contabilidade de casos de febre amarela; 23 mortes são confirmadas

febre

Wikimedia Commons

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alterou a forma de contabilizar os casos de febre amarela no estado. Após o Ministério da Saúde confirmar nesta quarta-feira (18) as primeiras oito mortes, decidiu-se abolir a terminologia casos prováveis, que era usada anteriormente para designar aqueles que contavam com exames preliminares positivos.

Dessa forma, os casos serão dividos apenas em suspeitos e confirmados. A confirmação acontecerá quando o paciente apresentar exame positivo para febre amarela, exame negativo para dengue, falta de vacinação e sintomas compatíveis com a doença.

Com esses critérios, o novo boletim epidemiológico divulgado nesta quinta (19) traz um aumento em relação às oito mortes por febre amarela confirmadas nesta quarta-feira. Agora, já são 23 óbitos com confirmação. Outros 31 ainda estão sendo investigados.

O número total de casos notificados no estado são 206, dos quais 34 estão confirmados. Os registros envolvem 29 cidades. Os municípios com os quadros mais preocupantes são Caratinga (MG) e Ladainha (MG), com respectivamente 40 e 38 casos.

Em entrevista à imprensa, o subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde, Rodrigo Said, informou que este já é o maior surto de febre amarela de Minas Gerais. “Nós tivemos dois grandes surtos em 1999 e 2000. Tivemos também um surto localizado em Ubá e na região centro-oeste do estado em 2010. Mas, este ano já supera tanto em número de casos, como de municípios e de mortes”.

Se todos os casos suspeitos de Minas Gerais se confirmarem, será também o maior surto dos últimos 10 anos no Brasil, superando 2009. Há oito anos, o país registrou 47 casos. Na ocasião, 17 pessoas morreram.

Diante do quadro, o estado adotou algumas medidas Há duas semanas, o governador mineiro Fernando Pimentel anunciou um investimento de R$ 26 milhões  para o combate à febre amarela. Ele também decretou situação de emergência em saúde pública numa área de abrangência que inclui 152 municípios. A medida permite agilizar processos administrativos para aquisição de insumos e contratação de serviços e funcionários temporários.

Transmissão silvestre

A febre amarela é causada por um vírus da família Flaviviridae e ocorre em alguns países da América do Sul, América Central e África. No meio rural e silvestre, ela é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Já em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya.

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão da febre amarela no Brasil não ocorre em áreas urbanas desde 1942. A SES-MG considera que nenhum dos casos suspeitos no estado são urbanos. Além disso, dos oitos óbitos confirmados pelo Instituto Evandro Chagas em Minas Gerais, quatro seguramente ocorreram por transmissão silvestre. Os demais ainda estão em análise.

Capital

Embora não possua nenhum casos suspeito, Belo Horizonte está adotando medidas para impedir o início de uma transmissão urbana. O Hospital Eduardo de Menezes se tornou responsável por receber pessoas com suspeita de febre amarela que vêm dos municípios afetados. A instituição reservou para este fim 18 leitos no Centro de Terapia Intensivo (CTI) e 32 na enfermaria. Atualmente estão internados 18 pacientes.

Para evitar o mosquito Aedes Aegypti pique essas pessoas e transmita a doença, foi feito um pente fino no interior do Hospital Eduardo de Menezes. Também houve aplicação no seu entorno do inseticida popularmente conhecido como “fumacê”. Além disso, foram instaladas ovitrampas, uma armadilha com odor que atrai a fêmea do mosquito e possibilita avaliar a sua concentração de ovos. Outra medida adotada foi a colocação de telas com inseticida nas janelas das alas que estão recebendo os pacientes.

Vacinação

A vacinação da população é a principal medida de combate à doença. O imunizante é ofertado gratuitamente nos postos de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A aplicação ocorre em dose única, devendo ser reforçada após 10 anos. No caso de crianças, o Ministério da Saúde recomenda a administração de uma dose aos nove meses e um reforço aos 4 anos.

A SES-MG informa que o estado está abastecido e que faltas nos postos de saúde serão pontuais, quando a demanda no local for superior à capacidade de armazenamento. Ainda assim, o órgão garante que a reposição será ágil. Amanhã (20), uma nova remessa de 2 milhões do doses disponibilizada pelo Ministério da Saúde começará a chegar às cidades mineiras.

Estados vizinhos à Minas Gerais também estão tomando iniciativa devido ao avanço da doença. Rio de Janeiro e Bahia decidiram antecipar medidas de segurança e iniciaram uma campanha de vacinação em cidades que se situam próximo à divisa. A ação alcançará 14 municípios fluminenses e 45 baianos. Nesta quarta (18), o Espírito Santo informou a existência de seis casos suspeitos em São Roque do Canaã, Conceição do Castelo, Ibatiba e Colatina.

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