26 de dezembro, 2017 | Autor(a): Paulo Cesar de Oliveira

“Meninos” em recuperação

Fosse o Congresso Nacional uma escola de ensino médio ou fundamental e seus alegres integrantes não estariam gozando de férias. Estariam, no mínimo, se descabelando para enfrentar uma recuperação em todas as matérias. Não seria diferente se também o Executivo, o Judiciário e o Ministério Público, em todos os seus níveis, fossem escolas. Os Poderes levaram recuperação por não terem feito, em 2017, o dever de casa. Estão todos em imerecidas férias, ou recesso, como queiram, deixando tudo a fazer. E deixarão também em 2018, ano eleitoral, em que nada que possa abalar votos, acontece. Esta é uma situação que nem mesmo o Papai Noel com seus infinitos dons para atender pedidos consegue resolver. Somos um país nada sério. Francelino Pereira, o ex governador de Minas que nos deixou semana passada, quando presidente da Arena, já nos anos 1970, incomodado com as incertezas políticas, se perguntou, e perguntou a todos, políticos ou não: “que país é esse”. Mais de quarenta anos depois a pergunta permanece sem resposta. É que talvez a pergunta tenha sido formulada de forma errada. Na verdade, que cabe é perguntar “que povo é este”, que não se movimenta, que não se mostra indignado o suficiente para promover as mudanças necessárias. Nos indignamos via internet, criando piadinhas e/ou promovendo agressões vis, que não provocam resultados práticos. Vamos empurrando soluções e tornando com isto, cada vez mais difíceis as saídas para nossas crises.  As reformas que estão sendo propostas ainda são tímidas em relação ao que precisa ser feito. Em nome do “direito adquirido”, na maioria dos casos apenas privilégios concedidos, deixamos de fazer o que o mundo inteiro – a Argentina aí ao lado é um exemplo- está fazendo, por falta de coragem dos que, no exercício de mandato que nós concedendo ou, em alguns casos, no exercício de função pagas pelo povo, se omitem.  Esquivam-se até do debate pois não se pode nem dizer que temos discutidos com seriedade nossos problemas e possíveis soluções para eles. A densidade dos debates no Brasil é de envergonhar. Claro, aos que têm vergonha.

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