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7 de abril, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Lula de novo na mira

Buscando derrubar Temer, a investigação sobre a chapa Dilma-Temer volta a fechar o cerco no petista

Ao entrar com uma ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014, o PSDB tentava acertar dois alvos com um mesmo tiro. Ou um plano B caso Dilma não fosse cassada, como um caminho alternativo para derrubar o governo, que acabou não sendo necessário, ou um caminho para derrubar o governo substituto. Caso a ação surta efeito no atual momento, Temer é retirado do poder e novas eleições ocorrem, da pior forma possível: votação indireta. Quem escolhe o novo governo, nesse caso, não sou eu ou você, mas os deputados em Brasília. Derruba-se, nesse caso, as chances de um 2018 normal, e aumenta a chance de uma renovação de energia no ninho tucano, um dos partidos mais desgastados do Brasil depois do PT.

Só que a fritação de Temer nesse processo vem com um brinde. Enquanto Lula se torna candidato inevitável no ano que vem, caso o curso das eleições corra normalmente, a cassação de Temer tem dois efeitos colaterais: caso se concretize, as chances do PT ser eleito indiretamente são praticamente nulas, uma vez que o PMDB comanda o Congresso, e mesmo com disputas internas anda afastado do Partido dos Trabalhadores desde o rompimento com Dilma. E mesmo caso não dê resultado concreto, a ação tem levado ao holofote antigos protagonistas dos piores pesadelos petralhas. Personagens como Duda Mendonça têm frequentado as notícias sobre delações premiadas. Nesta semana, Guido Mantega foi trazido à tona pelo próprio PT para prestar depoimentos. Se não conseguem produzir provas diretas contra Lula, revirar esse histórico de financiamento de campanha pode criar situações circunstanciais. Mesmo se não for o suficiente para prender Lula, o sonho de muitos brasileiros, pode ao menos ligar uma frigideira lenta na imagem do ex-presidente.

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