19 de janeiro, 2018 | Autor(a): Lucas Rocha

Hora de brincar

Foto: Pedro Vilela / Agencia i7

Um ambiente seguro, com infraestrutura necessária para dar asas à imaginação dos pequenos, e, de bônus, permitir que os pais possam retomar os compromissos do dia a dia e até mesmo melhorar a qualidade de vida – afinal de contas, quem nunca desejou assistir um filme e precisou dar pausa para colocar na Galinha Pintadinha? É por conta dessas questões que Belo Horizonte começa a receber mais empreendimentos profissionais especializados em deixar a criança simplesmente brincar.
Enquanto mães, Joana Fiuza, Nathália Fiuza e Alexandra Durans se uniram como empresárias e inaugurarem o Vila Lúdica, em Lourdes. “Temos filhos pequenos e sempre foi difícil conciliar a rotina, principalmente tendo poucos lugares onde poderíamos deixá-los. Quando observamos isso e conversamos com outros pais, percebemos que eles também enfrentavam os mesmos desafios”, relembra Nathália. Ocupando 140 m² planejados em mínimos detalhes, o espaço reproduz uma vila onde as crianças possuem liberdade para explorar e brincar com tudo o que estiver ao alcance. “A ideia era essa mesmo: possibilitar que eles tivessem autonomia, onde tudo fosse adaptado e pudesse instigar a imaginação na hora de brincar e de socializar com outras crianças”, explica.
Para os pais mais apegados e preocupados, o Vila Lúdica disponibiliza acesso remoto ao sistema de monitoramento por câmeras para conferir como está o filho. Com capacidade para receber até 25 pessoas simultaneamente, a faixa etária máxima é de 8 anos, sendo que as crianças de até 3 devem estar acompanhadas de algum responsável. O horário de funcionamento é outro diferencial para atender as demandas dos pais, funcionando das 17h30 às 22h30, de segunda a sexta; das 10h às 22h30, aos sábados; e das 12h às 17h aos domingos.
A psicóloga Graziella Teixeira é uma das mães que vem usufruindo de toda essa infraestrutura. Desde que o pequeno Lucca, de 2 anos, entrou no espaço foi amor à primeira vista. “Acho que, muito além de ajudar os pais, é um lugar que estimula a criatividade e a convivência com outras crianças, aprendendo a dividir, a estar junto. Hoje em dia, o Lucca chega e já vai tirando o sapato e entra pra brincar. É um tempo que é dedicado exclusivamente para ele, para pintar, colorir, e eu tenho a oportunidade de aproveitar o tempo estreitando ainda mais meu laço com ele em um ambiente que é a cara das crianças”, descreve a mãe.
Em tempos de estímulos tecnológicos por todos os lados e da fase dedicada às brincadeiras chegando ao fim cada vez mais rápido, uma das principais características desses espaços é não possuir nenhum brinquedo que use de tecnologia e nem itens como tablets, computadores ou videogames. A ideia é explorar a criatividade, resgatar formas de brincar que vêm ficando no esquecimento e ampliar a forma de conhecimento.

Foto: Hugo Cordeiro

Tendo esse cuidado, o Espaço Corre Cutia, localizado no Cidade Jardim, fundado por Cristiane Melgaço e Luciana Santiago, acredita na leitura de bons livros infantis como ferramenta para expandir o universo lúdico das crianças. “O Corre Cutia começou na verdade como uma livraria especializada em livros infantis. Aí percebemos a falta de programas e serviços especializados e começamos a promover oficinas, colônias de férias, até que achamos o local perfeito para inaugurar o espaço. A ideia é deixar a criança ser criança, receber tanto as que não estão na escola, como as que já estão, para terem esse contraponto de um lugar feito para se divertir e aprender sem cobranças”, conta Cristiane, ao acrescentar que a faixa etária estipulada vai de 1 a 10 anos.
Além da biblioteca de encher os olhos, o local conta com uma equipe de psicólogas e pedagogas, que acompanham os pequenos grupos de crianças no decorrer do tempo em que estão lá. Outro diferencial são atividades alternativas como aulas de artes, música, culinária e jardinagem, esta realizada no próprio jardim do Corre Cutia. Para os que já estão na escola, existe acompanhamento especializado diário para fazer os “para casa” e a alternativa de uso do espaço para realizar festas de aniversários, pensadas especialmente na diversão, como piqueniques.

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