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25 de maio, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Guerra declarada

Temer não recua diante do momento mais crítico do seu governo, e declara guerra à oposição

A cada novo acontecimento na crise política do Brasil, o cenário fica mais claro. A classe política corrupta, que comandou um gigantesco esquema de desvio de verbas por décadas, vai sendo pressionado às cordas. Mas ao invés de recuar, estão tentando lutar para manter seus privilégios.

Antes, com medidas na calada da noite, propostas de lei que os defendem e garantem seus lucros, aumentando vencimentos, impedindo investigações e garantindo impunidade para seus atos. Mas diante da cada vez maior pressão da Operação Lava-Jato e do mal estar crescente junto à população, deputados, empresários e mesmo chefes do executivo têm se aproximado de seus limites. Especialmente o presidente Michel Temer.

Na semana passada, ao se ver no centro do mais recente escândalo da crise política, acusado de receber propina da JBS e pagar pelo silêncio de Eduardo Cunha, o presidente foi enérgico, beirando o destempero, ao vir à público declarar que não renuncia. Fez clima para um “dia do fico”, com ares de grandeza que nunca teve. Em seguida, protocolou diversos pedidos na justiça para barrar todas as investigações e processos contra ele.

Mas além da guerra jurídica e parlamentar, Temer mostrou, nesta quarta-feira, que está disposto a tudo para se segurar no trono. Ao se ver alvo das mais tensas manifestações desde 2013, em Brasília, não teve meio termo, e autorizou o uso do exército para conter qualquer perturbação à ordem até o fim deste mês. Não é uma precaução, não é uma garantia de ordem. A medida de Temer foi um aviso.

Como todos os outros atos de seu governo, Temer segue a linha de governos autoritários: não recua, não abaixa o tom, não assume erros e, ao ser confrontado, responde com ameaças. A mais recente, a mais séria delas: se a oposição ficar mais dura, a repressão será ainda maior. O jogo de ação e reação começa aqui. A ameaça de Temer provocará manifestações ainda mais raivosas, que justificarão o uso das Forças Armadas. É o prenúncio de uma guerra, e o governo Temer não só sabe disso, como está disposto a encarar. Quem pagará o preço dessa decisão, no entanto, será a história do país.

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