5 de dezembro, 2017 | Autor(a): Agência Minas

Governo de Minas Gerais inova com curso de Programação Web só para mulheres

Começa na infância: enquanto as meninas são incentivadas a brincar de boneca ou casinha, os meninos ganham jogos de raciocínio lógico, montagem e videogames. Ainda hoje, o computador é, normalmente, um brinquedo de meninos. Quando crescem, essa associação é reproduzida e se reflete na escolha pelas faculdades e pelo mercado de trabalho, o que contribui para afastar as mulheres da área de tecnologia. Prova disto é que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, apenas 20% dos profissionais de TI que atuam no país são do sexo feminino.

Já segundo o Censo da Educação Superior, em 2013 apenas 15,5% dos alunos de cursos ligados à computação eram mulheres, e o número de alunas que se formam mostra uma dificuldade ainda maior: apenas 13,6% delas chegam a concluir o curso.

Com o objetivo de incluir as mulheres neste mercado da tecnologia da informação, a Fundação de Educação para o Trabalho de Minas Gerais (Utramig) oferece, em iniciativa inédita, curso de Programação Web exclusivo para jovens mulheres, estudantes de escolas públicas. Na contramão dos dados citados, somente no primeiro dia de inscrições foram recebidas 90 solicitações para um total de 20 vagas.

Realizado no PlugMinas, em Belo Horizonte, o curso de 200 horas/aula vai possibilitar às alunas desenvolver e realizar a manutenção de sistemas para web, bem como codificar programas e modelar banco de dados.

“A gente já oferecia o curso de programação e víamos que eram poucas alunas. Então colocamos como um desafio para nós fazer uma turma só para elas, e o PlugMinas foi um grande parceiro nessa mobilização. O curso traz real possibilidade de essas jovens iniciarem sua carreira profissional num ramo promissor”, destaca a responsável pela capacitação na Utramig, Ana Carolina Utsch Corrêa.

A professora do curso, Aline Bittencourt, 31 anos, é exemplo para as alunas e testemunha do afunilamento da carreira das mulheres neste mercado em que, à medida que elas avançam, mais estreito fica o caminho. “Na minha turma na faculdade, que tinha 60 pessoas, só eu formei entre as mulheres. Foi um desafio muito grande. A turma era predominantemente de homens e os próprios professores falavam que mulheres nessa área não davam certo”, conta.

 

Para Aline, que é a única pessoa de sua família com diploma superior e hoje faz doutorado em Modelagem Matemática e Computacional, os obstáculos do trajeto viraram motivação a mais (Ouça aqui o depoimento da professora).

A jovem de 16 anos Mariana Monteiro, estudante da Escola Estadual Helena Guerra, sai diariamente de Betim, onde mora, para fazer o curso no PlugMinas, na região Leste de Belo Horizonte. “Eu tenho dois tios programadores. Via eles trabalhando e pensava que aquilo era coisa de doido. Quando eu comecei o curso, criei gosto por programação. Estou tendo a oportunidade de começar, aos 16 anos, um curso desse. Isso é muito massa!”, comemora. (Ouça aqui o depoimento de Mariana).

Por sua vez, a aluna Bárbara Landim, 18 anos, foi menor aprendiz em uma multinacional de criação de softwares, onde se interessou pela área. “Fiquei um ano e quatro meses e aprendi muita coisa. Mudou o meu modo de enxergar o mundo e espero voltar a trabalhar lá quando terminar o curso”, relata a estudante da Escola Estadual Walt Disney. (Ouça aqui o depoimento de Bárbara).

Já a aluna Esther Resende, 17 anos, faz o segundo ano na Escola Estadual Maurício Murgel, em Belo Horizonte, e conta que desde os 15 já sabe que quer seguir na área de TI.

 

 

Entre as alunas entrevistadas, uma unanimidade: uma turma exclusivamente feminina significa também maior liberdade de aprendizagem. “Uma vai ajudando a outra, está sendo muito bom. Temos liberdade para falar, expor as dúvidas. Em um ambiente misto, muitas vezes a gente vai ter receio de perguntar alguma coisa”, admite Mariana Monteiro.

Lugar de mulher é em todo lugar

Apesar da baixa participação e abertura para as mulheres no mercado de TI, elas desempenharam um papel fundamental na história da tecnologia.  Coube à inglesa Ada Lovelace desenvolver o primeiro algoritmo a ser processado por uma máquina. Grace Hopper foi a criadora daquele que é considerado o primeiro software de computador. A freira Mary Kenneth Keller foi a primeira norte-americana a conseguir um PhD em Ciência da Computação e participou da criação da linguagem BASIC.

Atualmente, também existem mulheres em lugares de destaque no setor: Marissa Mayer, CEO da Yahoo, foi a vigésima funcionária a ser contratada pelo Google, onde trabalhou por muitos anos. Já a norte-americana Sheryl Sandberg é chefe operacional do Facebook.

Programação Web para mulheres

Os cursos de curta duração oferecidos pela Utramig contam com dois módulos. O Módulo Educacional Central, de 40 horas, trabalha temáticas como juventudes e relação com o trabalho, projetos de futuro, culturas juvenis e tecnologias, participação política e cidadania, sexualidade, relações de gênero, raça e etnia e drogas e redução de danos.

O módulo Programador Web contempla aulas práticas, voltadas para a área de Tecnologia da Informação, e engloba tópicos de lógica de programação para estruturas de projetos web, conceito de algoritmos, construção de sites, arquitetura da informação, design de interação, ferramentas de construção de conteúdo, linguagem PHP, entre outros.

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