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17 de agosto, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Fantasma do país passado

O governo do PMDB insiste em recorrer ao passado, e se recusa em levar o Brasil para o futuro

Os delírios de Michel Temer precisam ser vistos por um psicólogo. A sua obstinação para levar o Brasil de volta a onde esteve há 30 anos atrás é digna de estudos. Em mais nova tentativa, o partido do presidente fez requerimento ao STE para mudar de nome. Quer voltar a ser MDB, tal qual durante a ditadura militar.

Já não basta cancelar todas as conquistas constitucionais que foram construídas nos últimos anos. Não satisfeito em derrubar as complexas e difíceis rupturas construídas contra a desigualdade social, voltando a priorizar a elite política multimilionária e largando a população de lado. Agora, aposta que com a mudança de nome todos viverão a nostalgia do partido de Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, ignorando a pária política que se tornou de lá pra cá.

Não dá pra apagar todo o mal que o partido causou em décadas sendo o timão da compra de votos no governo. O PMDB parece querer criar um país de conto de fadas, trazendo as boas lembranças do passado de volta. Mas esquece que a memória também guarda as mazelas daquela época. Em que a inflação era ainda muito pior do que a de hoje, chegando a atingir 4 dígitos. E que taxas de juros a 44% ao ano eram possíveis. Uma dívida externa que quebrou o país por anos a frente. E o ovo da corrupção envolvendo governo e empreiteiras.

Falta pouco para a realização do sonho de Temer. O próximo passo é revogar o voto direto. Já em seus primeiros passos, o objetivo final da Reforma Política proposta pelo governo é o parlamentarismo, que nos joga de volta às eleições indiretas. Até lá, se conseguirem quebrar o país de vez, de novo, ainda é capaz de trazer uma “nova” moeda de novo, revogando também o plano real e trazendo os cruzeiros/cruzados de volta.

É um esforço realmente patológico. Não deve haver espanto se, nos próximos meses, o presidente for visto bradando “ame ou deixe-o”, ou mesmo cantando Pra Frente Brasil! Sorte que o presidente não é militar, para não querer retomar medidas ainda mais drásticas. Ou será que é cedo para descartar tais medidas?

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