11 de setembro, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Fala, Geddel

Um dos maiores aliados de Temer volta à cadeia em mais um episódio bizarro de corrupção. Até quando?

 

“O ex-ministro e braço direito de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, é acusado de desviar verba pública desde que tinha 25 anos. Na época dos Anões do Orçamento, seu nome constava em uma lista de favorecidos com percentual de empreiteiras, já num esquema próximo ao que hoje se explode nos noticiários. E agora, ao ser finalmente preso, por um crime bem menos expressivo, clama por sua vida pública ilibada, dizendo em frente das câmeras nunca ter feito um só ato ilícito.”

Assim falávamos de Geddel há dois meses, nesse mesmo espaço, quando foi preso pela primeira vez, ainda em prisão domiciliar. Não satisfeito, após chorar para as câmeras, agora vai ter que explicar como os 51 milhões encontrados dentro de caixas e malas em um apartamento usado por ele, com as digitais dele, não foram obtidos de forma ilícita. Geddel foi preso novamente, desta vez em regime fechado, e em breve deve ser convidado a delatar.

 

Sim, até ele. Se mesmo Antonio Palocci, que foi fiel escudeiro de Lula e Dilma, hoje virou delator contra o governo petista, Geddel pode ser a nova bomba relógio tanto para PT quanto para PMDB. É que ele participa de esquemas de corupção há tanto tempo que conseguiu estar envolvido em roubalheiras em todos os governos, em todos os partidos, e seguramente tem muito a contribuir com as investigações. O choro de crocodilo do ex-ministro em julho mostra muito da sua falta de pudor ou caráter, logo, trair aqueles que o defenderam não deve ser um grande desafio.

 

O que Geddel precisa fazer é, ao menos, tentar um acordo melhor do que o de Joesley Batista, empresário que tentou implodir o planalto em troca de uma ficha limpa. Joesley articulou para garantir sua imunidade, planejou gravações com o intuito de engrossar sua delação e ainda especulou no mercado de ações com a crise que ele próprio iria provocar. Delatou, fugiu do país, mas agora volta a ser procurado pela polícia após ter seus benefícios revogados. Em qualquer uma das hipóteses, Temer está encurralado. Se Geddel falar, pode derrubar o presidente. Se ficar calado, Temer passa por mais um constrangimento ao encobrir repetidamente figuras com as fichas mais sujas do país. Vamos ver até quando dura a falta de vergonha de Michel.

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