14 de fevereiro, 2017 | Autor(a): Paulo Cesar de Oliveira

Economia recupera e política cai

Apesar de tudo o presidente Michel Temer vai se impondo. Os números das pesquisas internas e de algumas instituições de classe começam a ser mais favoráveis, mesmo diante de um desemprego que fará história e de uma recessão que incomoda a quem produz e a quem consome. O que pode explicar a melhoria em relação ao governo Temer deve atribuir à sua equipe econômica que, sem alarde e nenhuma mágica, mas seguindo o beabá, derrubou a inflação e se impôs diante de empresários e de político.

Temer, vê-se agora, foi raposa felpuda na formação de sua equipe de governo, até mesmo na convocação de nomes que, sabia-se de antemão, seriam queimados pelas investigações das diversas operações da Policia Federal e do Ministério Público ou que,por suas trapalhadas do dia a dia, estariam fora do governo. Mas o presidente sabia e sabe o que pode tirar de cada um deles. Todos conhecem bem os atalhos do Congresso e, no governo, ou já fora dele, foram importantes na condução das reformas. E não duvidem que com a tropa de choque que montou, Temer seja capaz de aprovar coisas que poucos acreditam que conseguiria. É que ele está buscando votos na turma que só vota no balcão de negócios que conversa exatamente com quem conhece bem o balcão, até por ter sido, ou ainda ser, parte dele. E para esta turma, o sucesso do governo Temer passou a ser uma questão de sobrevivência.

Queiram ou não os críticos, a eventual retomada do crescimento econômico, que economistas importantes já admitem para este ano, em percentuais baixos e base pequena, é verdade, via tirar o foco das “operações caça-ratos” em andamento no país. O presidente Temer, já em situação mais confortável do que a alguns meses em relação ao controle da economia, também tem pressa. Ele sabe o risco de ser atropelado pelas delações da Lava Jato e sabe que, no Brasil, o povo releva malfeitos dos que estão bem com ele. Resultados positivos na economia, com retomada do emprego, somado a um ou outro programa de distribuição de benefícios, costuma ser salvo conduto para políticos. Quem consegue isso, entra para o grupo do “rouba mas faz”, e ganha perdão do povo. Aí fica mais fácil o perdão ou o esquecimento judicial.

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