13 de julho, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

É preciso manter as vaias

Com Michel Temer nas cordas, governo passa a atirar para todos os lados e tenta ganhar força

O juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Lula à cadeia. Apesar da notícia ser muito aguardada por muita gente em todo o Brasil, não é motivo de aplausos. A decisão já era prevista até mesmo pelo próprio Lula, e na prática, ainda significa pouco, já que cabe recurso. O que se sabe é que para Moro esse passo sempre foi questão de tempo. Por isso mesmo, é de se espantar o tempo certeiro em que foi dado.

No mesmo dia da condenação Michel Temer era alvo de debate na Comissão da Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Os parlamentares discutiam se o presidente, que foi gravado em conversas com empresários negociando propina, deveria ser investigado ou não. De acordo com levantamentos do próprio governo, a votação tendia a ser desfavorável, o que deixaria ele mais perto que nunca de ser retirado do cargo, em um caminho quase sem volta. Desesperados, partiram para medidas drásticas. O PMDB, partido de Temer, simplesmente trocou todos os deputados que conseguiu da comissão, mudando a configuração dos votos ao colocar no debate um grupo de testas de ferro para defendê-lo.  Isso enquanto outra turma, no Senado, aprovava a polêmica Reforma Trabalhista, sinalizando que se cair, Temer cai atirando.

A condenação de Lula, sendo oficializada nesse momento, é o golpe final. Sinaliza para o mercado que Temer é o que todos precisam, mesmo que não seja.

Assim como no governo Lula, Temer comprou o apoio de parlamentares para se manter. Assim como no governo Lula, Temer vai ao ar soltar bravatas para passar confiança. Assim como no governo Lula, Temer está sendo acusado e investigado por todo o tipo de crime. Mas se o Brasil parar para aplaudir a prisão de Lula, ninguém mais vaia Temer. E isso é exatamente o que ele precisa.

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