2 de fevereiro, 2018 | Autor(a): Lucas Rocha

Donos da rua

Foto: Mariela Guimarães / O Tempo

Eles se espalharam por toda a cidade sem qualquer distinção de região, horários ou dias da semana. Na maior parte das vezes, você mal começou a fazer a baliza para estacionar o carro e já vê seu automóvel cercado por estranhos que, de início, se mostram solícitos para orientar nas manobras, mas é descer do carro que o pesadelo de verdade começa.
Os flanelinhas se tornaram verdadeiros “donos da rua”, sem ter qualquer autorização para tal, onde cobram quantias superfaturadas para supostamente cuidar do seu carro. O grande problema da prática é que ela se tornou instrumento de extorsão. São vários os casos de pessoas que, quando voltaram, o guardador já não estava mais ali, os carros que foram danificados e até furtados ou então os flanelinhas que apareceram como passe de mágica quando o dono retornou para o automóvel.
“É uma situação que está se excedendo na cidade e que é quase uma atividade criminosa uma vez que são recorrentes os casos de extorsão. Acredito que a prefeitura precisa reavaliar a questão de credenciamento desses flanelinhas porque dá um ar de atividade oficial quando na verdade não é”, explica o vereador Mateus Simões, ao acrescentar que existe uma dificuldade para inibir a ação dessas pessoas por dois motivos: a fiscalização que, por vezes, ignora a ação irregular dos flanelinhas e a questão cultural, onde as pessoas naturalizaram o pagamento quando o necessário é sempre chamar a polícia e denunciar.
Quem passa pela situação sabe que nem sempre é fácil lidar com os flanelinhas. Muitas das vezes os motoristas se sentem acuados e até mesmo são ameaçados de terem a integridade física violada. “A PM realiza diversas operações junto à equipe responsável por credenciar esses flanelinhas, mas infelizmente pelo motivo da penalidade ser branda, acaba sendo ineficaz para inibir a atividade. Aconselhamos que, quando houver ameaça ou algo do tipo, o motorista encontre um lugar seguro, faça a denúncia para o 190 e aguarde a chegada da viatura para acompanhar o registro da ocorrência e acompanhar até a delegacia para fazer a queixa”, comenta o sargento Valdemir Gonçalves da 4ª Companhia do 1º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais.
Preocupado com um possível efeito que a ação desses flanelinhas seja o aumento de crimes graves como roubos e tráfico de drogas, o vereador Mateus Simões ainda acrescenta: “Chegamos em um ponto que não é necessário criar-se mais leis, mas sim que o Executivo assuma uma postura diferente diante dessas pessoas, assim como foi feito no caso dos camelôs quando passaram a exercer a atividade de forma indevida”.

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