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5 de maio, 2017 | Autor(a): Agência Minas

Detentos de Alfenas concluem curso para instalação de aquecedor solar de baixo custo

 Omar Freire/Imprensa MG

Placas pretas formam um mosaico no telhado no Presídio de Alfenas. É esse tabuleiro de PVC que tem captado o calor dos raios solares e aquecido a água das celas da unidade prisional. A instalação do equipamento foi feita por 19 presos e dois agentes do presídio e é inédita no sistema prisional mineiro.

Além de proporcionar esse conforto para os outros colegas, os detentos também tiveram a oportunidade de aprender uma profissão. Nessa quinta-feira (4/5), os custodiados receberam o certificado de conclusão do curso de Aquecedor Solar de Baixo Custo.

Instalação e capacitação tiveram um investimento de R$ 87 mil. São recursos de prestação pecuniária da comarca de Alfenas. O projeto foi criado pela Associação Mineira de Educação Continuada (Asmec) e apresentado à juíza Ayla Figueiredo, da Vara de Execução Penal do município, que – de imediato – aprovou e liberou a verba.

A subsecretária de Humanização do Atendimento, Emília Castilho, esteve na unidade prisional para a solenidade. Para ela, o Governo de Minas Gerais mostrou, mais uma vez, que com a ressocialização é possível construir um Sistema Prisional melhor.

“A ideia por si só já é perfeita, porque traz sustentabilidade. Por ser em uma unidade prisional, fica mais ainda. A dignidade que isso tem proporcionado é gigantesca, mostrando que a comunidade tem força e que, quando se envolve, só há benefícios”, diz Emília.

O curso e as obras começaram em dezembro de 2016 e terminaram no mês passado. A carga horária foi de 198 horas, com 6 horas de aula teórica e o restante de atividades práticas. Foram instalados 22 sistemas de 1.000 litros. Um para cada cela. A manutenção será feita pelos próprios detentos, que se tornaram Técnicos Projetistas em Sistema de Aquecimento Solar.

O professor Rafael Xavier é geógrafo e trabalha no ramo há mais de 10 anos. Ele veio de Belo Horizonte para ensinar o ofício aos indivíduos privados de liberdade. Em suas aulas, fez questão de enfatizar como o negócio é barato e muito rentável.

“Eu comecei com zero de dinheiro. Fiz uma proposta para um cliente, que pagou metade do serviço antecipado. Com o valor, comprei o material, fiz a instalação e tive um lucro de 150%. Falei para eles que, com determinação e força de vontade, conseguimos fazer dar certo”, conta Xavier.

“É um projeto que tem o desenvolvimento sustentável em todos os âmbitos, econômico, ambiental, entre outros. Mas para mim, só de poder dar um banho quente para essas pessoas, já sou grato”, completa o professor.

Os detentos foram selecionados pela Comissão Técnica de Classificação (CTC), que é um grupo multidisciplinar de profissionais das áreas de segurança, jurídica, de saúde e psicossocial da própria unidade. Darcson Pereira Rodrigues, de 35 anos, foi um deles. Há dois anos no presídio, viu nessa nova oportunidade um grande negócio.

“Eu trabalhava com calhas antes e, quando sair, quero juntar as ideias. O custo é baixo e pode beneficiar muitas famílias carentes. É uma chance de levar para quem precisa. E não posso esquecer de como tem sido bom tomar um banho quente todos os dias aqui”, diz Rodrigues.

Segundo a diretora-geral do presídio, Anelise Santiago Mendonça, a instalação aumentou a capacidade do reservatório de água e, ao mesmo tempo, reduziu o consumo.

“Nossa caixa armazenava 60 mil litros de água. Agora, com as novas caixas, conseguimos ter em estoque de 82 mil litros. É uma conquista que vai melhorar o cumprimento da pena e trazer dignidade para os presos. Mas nada disso seria possível sem o apoio dos meus funcionários, em especial os agentes, que abraçaram a ideia e não mediram esforços”, ressalta Anelise.

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