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Tudo BH
31 de janeiro, 2017 | Autor(a): Paulo Cesar de Oliveira

Derrete para melhorar

Quem imaginaria que Eike Batista, depois de alardear que um dia seria o homem mais rico do mundo, já tendo sido o mais rico do Brasil, iria, um dia, parar em Bangu, como colega de presídio do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral?

É o que aconteceu e parece que outros ainda virão. Eike e Cabral são, na verdade, dois ídolos de barro, um na economia e outro na política, criados por suas capacidades de vender ilusões. Ontem, até antes do previsto, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lucia, homologou as delações de 77 executivos da Odebrecht, nas quais, até onde se sabe, centenas de políticos de praticamente todas as legendas são citados.

O que vai acontecer após a esta homologação, e a inevitável liberação dos depoimentos, ninguém sabe. Com um novo relator no Supremo, a ser escolhido possivelmente ainda nesta semana, a Lava Jato seguirá no mesmo ritmo que Teori Zawascky vinha imprimindo? E qual será a postura do novo ministro do Supremo, ainda a ser indicado, diante da Lava Jato e das outras operações em andamento?

São muitas as dúvidas. São muitos os interesses em jogo. A verdade é que o Brasil está vivenciando situações pelas quais nunca tinha passado e que nunca imaginamos que passaríamos. Ver um Marcelo Odebrecth trancafiado há quase dois anos, e ainda tendo tempo de cadeia a cumprir, era algo inimaginável no país da impunidade.

Mas é verdade. Podem se beliscar. Não é sonho. Mas se evoluímos no combate à corrupção e à impunidade, continuamos o mesmo nas práticas políticas. Inclusive nas figuras. Amanhã teremos a eleição do novo presidente do Senado, com Eunício de Oliveira substituindo Renan Calheiros – que até aqui resistiu bravamente e, apesar de tudo, continua político – só não se sabe até quando.

Na Câmara, a eleição será na quinta, com Rodrigo Maia sendo reconduzido, mesmo contra o que determina a Constituição, que proíbe reeleição para a Mesa dentro de uma mesma legislatura. Maia foi eleito para um mandato tampão substituindo Eduardo Cunha. E alega isto para buscar a reeleição. O Brasil, convenhamos, não merece tanta nulidade e espertezas. Ou será que merecemos?

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