21 de setembro, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Da incompreensão à intolerância

A corrente de pensamento raivosa cega a nossa sociedade, e cria terreno fértil para a intolerância

Na semana passada, uma exposição que usava do exagero radical para quebrar paradigmas em prol da sociedade foi o centro das polêmicas nas redes sociais. Nesta semana, um juíz do Distrito Federal assinou uma liminar que, na prática, permite que psicólogos atendam homossexuais com intuito de mudar sua orientação sexual.

Em tempos de radicalismo de pensamento, especialmente acentuados pelo extremismo político para qual temos sido direcionados, opinar sobre temas que pouco compreendemos é um poço muito perigoso. Especialmente quando o assunto passa por uma luta de causa, um processo que é extremamente sensível. Foi o que aconteceu em ambos os casos.

A causa LGBT está talvez em seu momento mais importante. O de ser visto e legitimado. A exposição é necessária, pra que se convença a sociedade de que aquele determinado grupo vem sido tratado injustamente. Mostrar que ser gay é legal, e que essas pessoas estão em igualdade com todas as outras, é diferente de apologia. Não se pede e nem se ensina ninguém a desejar algo que não deseja. Temos apologia a comer brócolis, por exemplo, quando mesmo quando a criança não deseja aquilo, é feito uma série de ações para que ela ainda assim coma brócolis. Não é o caso.

Mas a incompreensão, aqui, é um fator que dificulta, ou inviabiliza o debate. No caso da exposição de arte, para debater a importância do choque que algumas peças provocavam em relação à diversidade, é preciso entender que uma obra de arte não é material didático, e que ser exposto ao seu conteúdo é diferente de ser exposto a um vírus. O objetivo de ir a uma exposição é ser confrontado com uma ideia e debatê-la, não necessariamente concordar com ela. Mas alguns insistem que a exposição não deveria acontecer pelo mal que ela pode causar. A incompreensão leva à intolerância àquilo que difere do seu pensamento.

O mesmo acontece agora. A sexualidade não é uma opção, não se faz uma escolha por ser ou não ser. Muitos casos precisam de acompanhamento de psicólogo, pela dificuldade justamente de se compreender enquanto homossexual. O que a nova liminar faz, apoiado por muitos, é permitir que a leitura equivocada da biologia seja levada em conta. Uma pessoa que não se entende ou não se sente confortável com a própria situação deve ser tratada, mas para descobrir essa situação, e não para ser reorientado. Não entender essa questão gera, também, intolerância, e críticas a quem decide criticar a liminar.

Como se combate a incompreensão? Com debate. E a intolerância impede justamente o debate de acontecer. É preciso quebrar esse ciclo, antes que a intolerância nos leve a decisões ainda mais prejudiciais do que as de se fechar exposições de arte e liberar charlatanismos.

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