8 de fevereiro, 2018 | Autor(a): Sueli Cotta

Conexão Empresarial: Fernando Meirelles abre ciclo de palestras de 2018

O governo tem um argumento forte para convencer os deputados federais a votarem a favor da reforma da Previdência, por mexer diretamente no bolso, ou melhor, nas emendas parlamentares. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), disse que em algum momento vai faltar dinheiro, terão que ser feitos cortes, e mesmo as emendas parlamentares sendo um direito, elas também podem ser afetadas. Ou seja, em ano eleitoral, e com a limitação de recursos para as campanhas, as emendas passam a ter uma importância maior, já que elas são destinadas a obras nas bases eleitorais de deputados e senadores. Cortar esse recurso não é o que se pode chamar de uma boa notícia. O assunto foi levantado por Meirelles durante a sua palestra para empresários, políticos e representantes da sociedade, no primeiro Conexão Empresarial de 2018. O evento é promovido pela VB Comunicação, no espaço V, em Nova Lima.

Meirelles que analisa a possibilidade de disputar à presidência da República, disse que no momento está 100% dedicado a sua função e só vai definir se vai mesmo entrar na disputa no final do prazo de desincompatibilização, no dia 7 de abril. Até lá, vai continuar debatendo com os mais diversos setores sobre a necessidade de se fazer a reforma da Previdência. Para ele, o país viveu a sua mais longa crise econômica, decorrente de problemas fiscais que se prolongaram por 25 anos.  Enfrenta-los foi fundamental para que o país voltasse a crescer. Após tomadas algumas medidas no governo Temer, o Brasil saiu da recessão e terá um crescimento consistente de 3% neste ano e por um longo período, segundo Meirelles. Para ele, à medida em que são eliminadas as causas da crise, o país passa a ter condições de crescer e a reforma da Previdência é uma dessas medidas.

Ele avisa que não existe um plano B e que se essa reforma, mesmo com as modificações feitas até agora, terá que ser feita porque o país não tem como arcar com os custos das aposentadorias e quanto mais tarde, mais drástica ela será. O maior foco de resistência, segundo Meirelles está entre os que perdem privilégios, mas é preciso enfrentá-los para as regras sejam iguais para todos. Um dos argumentos usados por ele, é o de que o Brasil é um dos países onde o trabalhador se aposenta mais cedo. No México, onde a situação é semelhante à do Brasil, a aposentadoria é aos 72 anos.

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