26 de janeiro, 2018 | Autor(a): Lucas Rocha

Cidade mais verde

Foto: Divulgação CMBH

Eles estão espalhados por diversos espaços da cidade, geralmente com um aspecto de deterioração, trazendo um visual ainda mais poluído para o dia a dia. Mas muito mais que isso, os terrenos em desuso se tornaram problema de saúde pública e até de segurança. Por acumular muito lixo, esses espaços podem se tornar focos em potencial para a proliferação de mosquitos da dengue e ainda acabam sendo cenário para crimes como roubos e estupros.
Pensando nisso, um projeto de lei criado pelo vereador Rafael Martins (PMDB) promete impactar positivamente essa questão, transformando esses espaços em locais visualmente mais agradáveis e com alto poder de impacto social. “O projeto surgiu de uma percepção minha enquanto jornalista andando por BH, conversando com a população e vendo essa demanda da cidade. A partir daí, pensando no que poderia ser feito, tive uma ideia já inspirada em experiências que acontecem em outras cidades, como Curitiba. A proposta é ceder esses terrenos para entidades, associações comunitárias e ONGs devidamente regularizadas para que elas possam criar hortas comunitárias”, explica Rafael.
O projeto de lei foi aprovado em primeiro turno por unanimidade e deve ir para o segundo turno em fevereiro. Caso aprovado, serão mais 45 dias para ser sancionado ou vetado pelo prefeito. No texto, estão incluídos também a doação de insumos, adubos, terra, mudas e a disponibilização de profissionais para capacitação técnica e orientação sobre como devem ser feitos os processos e o controle de praga. “O legal desse projeto é que, além de manter os espaços limpos e bem cuidados, será uma forma de gerar renda e cidadania. A população poderá ver que, a partir desses mutirões, é possível transformar os espaços e a realidade em que vivem”, analisa o político.
Sobre os frutos da colheita, o destino deles será decidido diretamente pelos responsáveis pelas hortas. Eles poderão ser vendidos e ter a renda revertida para a própria comunidade ou para a própria ONG ou até para uso da vizinhança. “É um projeto muito bom, que, se aprovado, acredito terá a adesão de muitas pessoas. Vejo que a população está cada dia mais interessada em tornar realidade as mudanças. Cabe ao poder público criar mecanismos para que isso seja possível, divulgar as ações e os projetos para que as pessoas de fato consigam aderir e participar”, antevê Martins, ao acrescentar que vislumbra no futuro o aperfeiçoamento da lei para projetos de importância social, como o trabalho de menores infratores nessas hortas.

Comentários