31 de outubro, 2017 | Autor(a): Paulo Cesar de Oliveira

Burrice continua imperando…

“A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor” já dizia, lá nos anos 1990 o economista Roberto Campos, uma das figuras mais contestadas da vida pública brasileira. Mas este foi apenas mais um dos diagnósticos corretos dele. A crise, que atormenta a todos nós, mas especialmente aos milhões de desempregados, deixa evidente que sua origem está no glorioso passado de nossa burrice e na falta de caráter de, lamentavelmente, parte considerável de nossas elites. Não há outra explicação para o comportamento de situação e oposição, os primeiros usando as dificuldades políticas para conseguir vantagens financeiras, seja diretamente para si, seja para suas chamadas bases, e os segundos apostando no quanto pior melhor, num jogo de perde-perde, pois estão destruindo o país. Há neste processo um terceiro elemento,o povo,  único que, na prática, tem condições de mudar toda a situação através da pressão e de sua arma maior, o voto. Este, no entanto, peca pela burrice da omissão, do discurso de que na política todos são iguais e do orgulho em dizer que detesta política. É desta omissão os patrões – sim, o eleitor é o patrão da classe política – que se aproveitam os que só têm compromissos com a sua própria eleição. Que fazem do populismo barato a base de seu discurso. Dos que pregam a divisão de riquezas que, pelo seu comportamento, impedem de serem produzidas. Não é outro o comportamento dos que agora contestam as reformas que estão sendo propostas pelo governo.Não que devam se alinhar a elas automaticamente porque os que assim agem são também inconsequentes. Mas que as discutam com seriedade, sem a demagogia barata. Aprovem ou recusem mas com base em análises confiáveis, pois não é crível que governo e oposição tenham números tão opostos  sobre um mesmo tema. Enganar o povo com discursos fáceis tem sido, até aqui um caminho fácil. É o nosso passado glorioso de burrice.  O risco é permanecermos com um futuro promissor na burrice.

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