24 de fevereiro, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

Bolsonaro vem aí

O tabuleiro de 2018 vai ficando cada vez mais preto e branco, com os dois extremos representados

Enquanto os principais partidos do país já se reorganizam para as eleições de 2018, um movimento cada vez maior ganha corpo: a intolerância radical. A prova disso vem nas mesmas pesquisas que indicam Lula como um provável forte candidato ao Palácio do Planalto. Nelas, o deputado Jair Bolsonaro aparece com um número expressivo de votos, circulando próximo aos 10%. Há um ano e meio do pleito, é um número considerável, e que o coloca como segundo nome mais lembrado nesse momento para o cargo.

O discurso de Bolsonaro não deve colar. Apesar da onda intolerante mundial, que colocou um ultraconservador como Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, o Brasil ainda se assusta, na maioria dos casos, com discursos tão agressivos. Fora o fato de que por aqui temos eleições indiretas, o que se fosse aplicado aos EUA, teria dado a vitória à Hilary Clinton.

Mas o momento de instabilidade emocional que vivemos no campo da política abre uma brecha perigosa, que é justamente onde Bolsonaro atua: dá voz e espaço para discursos como esse. Vítimas da cultura do medo, econômico e social, grande parte da população se sente mais segura com um comandante firme, mesmo que aplicando medidas contrárias ao interesse da população. É o que garantiu estabilidade a governos como o de George W. Bush após os ataques de 11 de setembro. É o que deu liga a governos ditatoriais como a Alemanha nazista ou o Brasil militar. Não é sobre direita ou esquerda, sobre modelo econômico. É sobre medo e poder.

E com Bolsonaro ganhando percentual de votos, ele pode ainda estar longe de ter chances reais de vitória, mas a conquista maior ele já teve: ganha espaço na TV aberta para ampliar o seu discurso e angariar mais eleitores amedrontados para o seu rebanho.

Comentários