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Tudo BH
22 de maio, 2017 | Autor(a): Maíra Leni

Blitz de Combate a Cegueira

Leo Lara

Pela segunda vez a Praça da Liberdade será palco da Blitz do Combate a Cegueira de BH. O evento, realizado pelo Hospital de Olhos Rui Marinho, busca informar e conscientizar a população sobre os riscos e prevenção de doenças crônicas que podem prejudicar a qualidade da visão. No Brasil, existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e seis milhões com baixa visão. Estarão em pauta problemas oftalmológicos como Glaucoma e Catarata e outras doenças crônicas como hipertensão arterial, tabagismo, além da Sífilis, doença sexualmente transmissível que pode acarretar complicações oculares em gestantes, bebês, jovens e adultos de todas as idades.  Serão oferecidos exames oculares gratuitos para uma detecção inicial (“screening”) de Glaucoma, além de testes rápidos de Sífilis, aferição de pressão arterial, orientação ao fumante e prevenção de quedas em domicilio ao Idoso. “Este ano nosso enfoque informativo visa uma atenção primaria à saúde, alinhando a prevenção da cegueira com outros cuidados, tais como as DST´s, o tabagismo e a hipertensão. Isso porque a visão de muitas pessoas tem sido afetada em conseqüência dessas patologias e precisamos conscientizar a população que tanto o cuidado primário dessas doenças, quanto à visita ao oftalmologista é fundamental para o combate a cegueira”, destaca Dr. Marcus Vinicius, oftalmologista e diretor clínico do Hospital de Olhos Rui Marinho. Os atendimentos serão gratuitos e acontecerão das 9h às 15h.

A primeira edição da Blitz realizou 752 exames de triagem.  De cada 10 examinados, dois foram considerados suspeitos de Glaucoma. Destes suspeitos, 80% desconheciam sua situação. Do total de pessoas avaliadas, 10% nunca haviam ouvido falar de glaucoma e 50% não iam ao oftalmologista há mais de dois anos. “Os números da Blitz confirmam estatísticas prévias. A grande maioria da população não vai ao oftalmologista regularmente e por conseguinte, a maioria dos portadores de Glaucoma não sabem que têm a doença. Por isso mesmo a doença é líder em cegueira irreversível no mundo e tantas pessoas têm seu diagnóstico realizado em fase avançada da doença.”, destaca Dr. Marcus Vinicius.

Quem passar pela Blitz de Combate a Cegueira poderá fazer os exames oftalmológicos de Tonometria de Sopro, que afere a pressão intraocular auxiliando na preservação da saúde do nervo óptico e na prevenção contra o Glaucoma. A equipe de atendimento se desdobrará em vários turnos. Haverá a presença constante de oftalmologistas para esclarecimento às dúvidas da população.

O evento contará também com apoio da Sociedade Mineira de Cardiologia, responsável por aferição de pressão arterial e orientação sobre hipertensão e da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte. Por meio da Coordenação Municipal de Saúde Sexual e Atenção às DST/Aids e Hepatites Virais da PBH , serão fornecidos 200 testes rápidos de Sífilis. Já a Coordenação de Atenção à Saúde do Adulto e Idoso da PBH estará presente informando sobre o combate ao tabagismo e prevenção de quedas de idosos em domicilio.

Os bailarinos mineiros, Renata Mara e Oscar Capucho, destaque na Abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, se apresentaram às 09h45h, com o pax de deux “Muito além da visão”. Em seguida farão um oficina e bate papo com o público. Ambos possuem deficiência visual: Renata Mara nasceu com retinose pigmentar e tem apenas 20% da visão e Oscar Benfica Martins ficou completamente cego aos 9 anos de idade. Já às 14h30 o duo Desvio, Percussão Sincronia e Movimento se apresentará. No repertório, uma mistura de peças autorais e de compositores, combinando ritmos brasileiros com o pensamento formal erudito. O evento contará também com a participação da Associação de Amigos do São Rafael. Eles disponibilizaram material e equipamentos do dia a dia – como maquina de escrever e atlas para deficientes visuais.

O evento também contará com espaço Kids e área de Bike e Food Trucks.

Sobre o Glaucoma, Catarata e Sífilis

O Glaucoma é uma doença silenciosa, sem cura, mas, passível de tratamento. É considerada a primeira causa de cegueira irreversível no mundo, atingindo cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registra 2,4 milhões de novos casos de glaucoma anualmente, totalizando cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo.

Geralmente o Glaucoma não apresenta sintomas além da lenta perda de visão, atacando, inicialmente, apenas a visão periférica. Dessa maneira, a pessoa não consegue perceber que sua capacidade visual está sendo reduzida. Até o portador notar algum problema na visão, já pode ter ocorrido uma perda de 60 a 80% das fibras nervosas do nervo óptico. Pesquisas indicam que cerca de 80% das pessoas que têm a doença só procuram oftalmologista após sentirem alterações graves.

 Leo Lara

A doença, geralmente está associada ao aumento da pressão intraocular, levando à lesão do nervo óptico e consequente diminuição da acuidade visual. O tratamento, visando proporcionar o controle da doença, pode ser feito com colírios, laser e até mesmo cirurgias. A doença é facilmente detectada nos exames oftalmológicos de rotina, tais como: exame do fundo do olho, medida da pressão intraocular e exame de campo visual. Por ser uma doença silenciosa e progressiva, quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores serão as chances de se evitar a perda da visão.

Já a Catarata é a principal causa de cegueira reversível do mundo. Estima-se que mais da metade dos idosos no mundo possuem a patologia. Só no Brasil, cerca de 120mil pessoas por ano têm confirmadas o diagnóstico. A doença causa a opacidade do cristalino, que é a lente natural do olho. Dessa maneira, a visão fica embaçada e pode levar até à cegueira.  De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Catarata é responsável por 51% dos casos de cegueira no mundo, o que representa cerca de 20 milhões de pessoas. Ao contrário do Glaucoma, a Catarata tem cura e o tratamento é feito por meio de cirurgia, convencional ou a laser.

 Já a Sífilis, doença sexualmente transmissível, pode acarretar complicações oculares em gestantes, bebês, jovens e adultos de todas as idades. Entre junho de 2010 e 2016 foram notificados quase 230 mil casos novos da doença, de acordo com o último boletim epidemiológico do governo. Três em cada cinco ocorrências (62,1%) estavam no Sudeste e a transmissão de gestantes para bebês é atualmente o principal problema. Isso porque a falta de adesão ao pré-natal e a não realização dos exames durante a gestação dificultam o diagnóstico e o tratamento da doença. A infecção do feto, dentro do útero, pode ocorrer em qualquer estádio da doença materna. Dependendo da gravidade da infecção, ela pode levar a aborto, morte neonatal, doença neonatal e outros prejuízos para a saúde da criança, como doenças neurológicas e oculares, importante causa de cegueira na infância.

A doença que já matou muitos ao redor do mundo e hoje é tratada com a Penicilina, é uma Infecção bacteriana, que normalmente começa com uma lesão indolores nas genitais, no reto ou na boca. Por ser uma doença sistêmica complexa, causada pela bactéria Treponema pallidum, pode acometer qualquer órgão do corpo humano, inclusive os olhos, a Sífilis pode levar à cegueira.

Embora não haja um levantamento específico do número de brasileiros cegos devido a ela, dados do Ministério da Saúde indicam que a cegueira causada pela doença está em ascensão, já que a contaminação vem crescendo nos últimos anos, sobretudo entre os jovens. As manifestações oculares podem ocorrer de várias maneiras e em qualquer estádio da enfermidade, sendo mais comum seu aparecimento na sífilis secundária. Os sintomas oculares mais frequentes nessa fase são diplopia e baixa acuidade visual. Ela pode ainda se  manifestar com uveíte anterior, ceratite, retinite, neurite esclerite, episclerite, além da uveíte posterior (inflamação do segmento posterior do olho: úvea, coróide, retina e vítreo), podendo levar à perda parcial ou total da visão.

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