28 de novembro, 2017 | Autor(a): Paulo Cesar de Oliveira

As candidaturas “ilegítimas”

O assunto não é novo neste espaço. Em alguns outros momentos já tratei dele en passant, dentro de diferentes contextos. Volto a ele agora pela preocupação que causa. Falo das candidaturas aos Legislativos em todos os níveis mas, em especial, ao Senado e à Câmara Federal, que estarão em jogo no ano que vem. Enquanto as discussões se concentram, mesmo que ainda  no ambiente político apenas, na disputa presidencial, sorrateiramente- digo malandramente até- vão sendo trabalhados nomes para a formação das chapas proporcionais e majoritárias ao Senado, com a arregimentação de cidadãos que não têm qualquer vinculação com a atividade política,que são apenas nomes populares e que são estimulados à disputa por quem quer apenas a garupa os chamados puxadores de voto, sem qualquer preocupação com o comprometimento futuro destas pessoas com o país. Antes que os de sempre se levantem, quero dizer que considero legítima a pretensão de qualquer um em disputar eleições e se tornar parlamentar. Repudio, no entanto, os que se aproveitam da ignorância e/ou omissão do cidadão para assumir um mandato sem qualquer compromisso com o seu exercício, para servir interesses de grupos ou para utilizá-lo de forma pouco republicana. Assusta ver a movimentação em torno de nomes que se busca engajar na política, requisitados não pela contribuição que possam dar ao país mas, claramente, pela possibilidade de virem a ser puxadores de voto, como foi Tiririca nas duas últimas eleições, ou para dar um assento no Senado a uma legenda sem qualquer expressão, como o Partido Ecológico Nacional quer usar Ronaldinho Gaúcho em Minas. Ou no limite, como deseja o PT, importar candidato, como a ex-presidente Dilma, que disputaria o Senado por Minas, apesar de não ter qualquer ligação com o estado, apenas nasceu aqui e que é, com diz Lula, uma política gaúcha. É assim que nascem nossos políticos ou os que detém mandato neste país, em todos os níveis de Poder. Pessoas, em sua maioria, sem qualquer vinculação partidária, a não ser a necessária cartorial, sem convicção ideológica e pior, sem compromissos. Assim nascem estes políticos que são geradores e alimentadores de crises.

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