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19 de junho, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

A lei não importa

Absolvido pelo TSE, Temer segue na sua epopéia em defesa do golpe e a favor do jeitinho brasileiro

Após defenestrar a cabeça de sua própria chapa em movimento de legalidade questionável até hoje, pelo processo de Dilma Rousseff, Temer continua a mostrar o pouco caso com a importância da lei. Aposta em seu capital político e as alianças que o PMDB comprou ao longo dos anos para passar por cima de todas as acusações sobre si.

Com longa trajetória parlamentar, Michel Temer aprendeu que tem a lei a seus pés. Que com apoio suficiente no Congresso tudo é possível. E sob essa condição, fincou os pés na presidência, mesmo sendo o principal alvo da Polícia Federal atualmente. Mesmo com provas documentadas de seu envolvimento direto em pagamento e recebimento de propinas para manutenção de campanhas e projetos de lei, o peemedebista não larga o osso. Não somente vem a público dizer que não renuncia sob nenhuma hipótese, se arma juridicamente para protelar ao máximo possíveis julgamentos.

No episódio mais recente, mostrou que ainda não está nas cordas. Com apoio costurado no Tribunal Superior Eleitoral, conseguiu absolvição da cassação de seu mandato, mesmo com uma explanação que beirou o didático, feito pelo ministro relator. Foi uma aula de como e por que a chapa Dilma-Temer usou de recursos ilegais para se eleger. Herman Benjamin, o relator, foi catedrático ao definir que a prática passa longe de ser exclusiva da candidatura analisada, mas não deixou dúvidas quanto à irregularidade implícita.

Mas a lei não importa. No Brasil, se você tem o apoio certo, das pessoas certas, ela dobra a seu favor. Como dobrou a favor de Temer quando o presidente do TSE, o questionável ministro Gilmar Mendes, decretou a absolvição de Temer.

Ainda restam outros rounds. Mas enquanto as decisões forem tomadas pelos mesmos corruptos que estão sob a mira das investigações, dificilmente sairemos do sistema de auto-defesa em que se encontra a política nacional.

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