9 de fevereiro, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

A Guerra do Medo

A escalada do medo no Brasil continua, e os próximos capítulos prometem ser cada vez piores

A estratégia é antiga e já foi usada em diferentes épocas, por diferentes motivos, sempre com sucesso. O medo é uma arma muito poderosa, e quando o usamos como último recurso, é porque nos deterioramos enquanto sociedade sólida.

O apoio ao uso da polícia e do aparelho governamental como ferramenta de opressão é o primeiro passo. Ao enquadrar aqueles que estão fora da “forma”, cria-se uma reação em cadeia. Acuado e sem saída, a vítima só tem duas saídas: se conformar ou contra atacar. E o que estamos vendo é o contra-ataque.

O que começou nos presídios, se espalha agora nas ruas de cidades no Espírito Santo. Não que os dois fatos estejam diretamente ligados, mas a guerra entre facções que matou dezenas em cárceres diversos pelo país nasce do mesmo pensamento que proporciona a desordem capixaba durante a greve policial: o contra ataque.

Não é que preso tem que ter TV e ar condicionado. Mas ele tem que ficar recluso, e não ser torturado. O motivo é simples, não é porque ele não merece. É porque se você trata ele com violência, é essa a linguagem que ele aprende, e é assim que ele reage. Da mesma forma que um pit bull pode ser manso, se criado de uma forma, ou mortal se criado de outra forma.

Não é que a polícia não é necessária. É que se a função dela é botar medo, quando a polícia sai de cena, a vítima volta na mesma moeda. A função da polícia, e a nossa, enquanto sociedade, é ensinar e aprender que cumprir a lei é necessário para que todos vivam bem. O que se vê hoje são pessoas cumprindo a lei por medo da consequência pessoal, e não coletiva, caso a descumpra. O que estamos vendo agora são aqueles que cansaram do modelo respondendo na língua que aprenderam a falar.

Com o crescimento exponencial do medo, o próximo passo é oferecer a solução. Qualquer solução. E nós, frágeis, assustados, vamos aceitar o que vier pela frente. Mesmo que seja mais do mesmo.

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