8 de junho, 2017 | Autor(a): Pedro Leone

A caixa preta de Furnas

A PF bate à porta de um dos mais bem protegidos esquemas de corrupção do Brasil. Aonde vai chegar?

Enquanto Michel Temer é julgado no Tribunal Superior Eleitoral, onde pode ter o mandato cassado, a Polícia Federal atua em uma das frentes mais sensíveis das investigações sobre esquemas de corrupção no Brasil. Nesta quinta, a sede da Eletrobras Furnas, no Rio de Janeiro, recebeu os investigadores que fizeram busca e apreensão de documentos que ajudem a entender o nó que permanece atado à estatal.

Furnas é o principal calo de alguns dos maiores pesos-pesados dos esquemas investigados pela PF. Foi em 2006 que se divulgou um suposto esquema de irrigação de campanhas do PSDB e PP, principalmente, com dinheiro lavado em Furnas. A lista de beneficiados vai de Aécio, Alkmin e Serra até Bolsonaro. E continua.

O controle de Furnas foi motivo de brigas, havendo relatos de pedido do PSDB para que parte da diretoria da empresa fosse mantida quando o PT assumiu a presidência, em 2002. O próprio ex-petista e ex-ministro de Minas e Energias, Delcídio do Amaral, confessou que a propina que vinha de lá foi dividida entre PSDB, PMDB e PT, por um tempo. A lista foi engavetada após uma CPI afirmar que os documentos apresentados à época eram falsos. CPI presidida pelo próprio Delcídio e relatada por Osmar Serraglio, hoje ministro da justiça de Temer.

Os segredos de Furnas são tão bem protegidos que, ao ameaçar trocar o comando da estatal, em 2014, Dilma comprou uma briga com o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que tinha influência na diretoria. O fim dessa briga, como todos sabemos, levou ao impeachment da presidente e à prisão de Cunha.

Se a Petrobrás foi responsável pela queda do PT, após a Lava Jato percorrer todas as principais empreiteiras do país, as investigações voltam agora ao setor de energia, com disposição para desenterrar esqueletos antigos e de diversos partidos. É esperar para ver se será mais uma vez abafada.

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